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Cooperados lutam por reconhecimento em São Vicente

Cooperativa instalada no Parque Ambiental Sambaiatuba ainda luta por valorização

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15 SET 2017Por Vanessa Pimentel10h30
Atualmente, 44 cooperados realizam as tarefas diárias da cooperativa: recebem a carga, fazem a triagem, enfardamento, e posterior venda para empresas da região e SPFoto: Arquivo/DL

A Coopercial, cooperativa de materiais recicláveis de São Vicente, instalada no Parque Ambiental Sambaiatuba, registrou nos últimos meses aumento no número de cooperados que trabalham por lá e na quantidade de resíduos trazidos na coleta seletiva realizada pela Codesavi no município, mas ainda está em busca de reconhecimento e apoio.

Atualmente, 44 cooperados realizam as tarefas diárias da cooperativa: recebem a carga, fazem a triagem, enfardamento, e posterior venda para empresas da região e de São Paulo. É assim de segunda a sexta-feira, das oito às 18 horas, como em qualquer outra empresa, mas, segundo os cooperados, sem a visão respeitosa e colaborativa da sociedade e em parte do poder público.

“Não sei se é porque trabalhamos com o que as pessoas não querem mais que isso acontece, mas é triste esse modo de ver porque nosso trabalho é importante. Nós somos agentes do meio ambiente”, diz o presidente da cooperativa, Francisco Ribeiro Souza.

No momento, a cooperativa detém o índice mais alto em reciclagem da Baixada Santista, reciclando por mês cerca de três mil toneladas. Sem o serviço, esse material seria destinado ao Aterro Sítio das Neves, na Área Continental de Santos, que, segundo autoridades, está próximo de encerrar as atividades, mas poderia ter sua vida útil estendida, caso o hábito da reciclagem já fizesse parte da vida da população da região.

Em relação ao poder público, Anderson dos Santos Silva, um dos cooperados, explica que a prefeitura indica melhorias para o local, mas ainda não retomou o convênio que havia na gestão do prefeito Tércio Garcia, quando o parque era considerado a “menina dos olhos”, conforme contam os cooperados.

Outra lembrança relatada é sobre o projeto sócioambiental “Caminhos para a Cidadania”, iniciado em 2002, pela Codesavi. Os catadores, que antes viviam das atividades do lixão, fechado no mesmo ano, foram inseridos no programa para integrarem a coleta seletiva e trabalharem de forma autossustentável à frente da Coopercial.

Reparos

Desde o início do ano, os próprios cooperados têm feito reparos na estrutura da cooperativa. A sala de reunião e os sanitários, que na última visita do Diário do Litoral, em outubro do ano passado, estavam praticamente sem o telhado, já receberam cobertura e foram reabertos.

O espaço ao lado da cooperativa também está limpo e não há mais vestígios da operação de transbordo que até 2010 foi realizada lá.  

“O que nós gostaríamos é que a sociedade separasse mais material, que todo mundo participasse e entendesse a importância de reciclar. A prefeitura tem um bom diálogo com a gente, mas seria bom se o convênio voltasse porque com ele nós conseguimos melhorar e ampliar nosso trabalho”, explica Anderson.

O rendimento mensal obtido com a venda dos recicláveis paga aos cooperados uma renda média mensal de R$700 a R$800 e oferece também café da manhã, almoço e café da tarde.

Estrutura

Além da cooperativa, há dentro do parque as salas que abrigavam os cursos profissionalizantes oferecidos aos catadores, no passado. Um deles era o “Mão na Massa”, que ensinava técnicas de padaria. A estrutura ainda existe, mas está sem uso.

O mesmo acontece com o local onde antes existia uma horta hidropônica.  O lugar já chegou a produzir 3.500 pés de alface por mês que eram destinados a merenda escolar da rede municipal.

Prefeitura

A Prefeitura de São Vicente informou por meio da Companhia de Desenvolvimento de São Vicente (Codesavi), que atualmente não há outras parcerias envolvendo o Município e a Coopercial. O único acordo entre as partes refere-se à coleta seletiva.

Porém, afirmou que a prefeitura tem intenção em retomar os projetos sociais realizados no Sambaiatuba e que conversas neste sentido já estão ocorrendo.

Atualmente, 44 cooperados realizam as tarefas diárias da cooperativa: recebem a carga, fazem a triagem, enfardamento, e posterior venda para empresas da região e SP

 

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