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Contrato de radar absorve 99% do Fundo de Trânsito de Guarujá

Fundo consegue arrecadar R$ 600 mil por mês, mas gasta R$ 595 mil com radar. Contrato vai até outubro

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07 JAN 2017Por Carlos Ratton09h00
Radares instalados em um dos cruzamentos da Avenida Puglisi, no Centro de GuarujáFoto: Carlos Ratton/DL

Dos R$ 600 mil mensais destinados ao Fundo Municipal de Trânsito de Guarujá, R$ 595 mil são para pagamento do contrato dos radares fixos e móveis instalados no município. Isso quer dizer que sobram apenas R$ 5 mil para manter a sinalização de solo e suspensa (placas, postes e outros), manutenção semafórica, campanhas de conscientização e outras atividades relacionadas à área na cidade.

A informação é do atual secretário de Defesa e Convivência Social, Luiz Cláudio Venâncio Alves, que, acompanhado do novo diretor de Trânsito, Marco Aurélio dos Santos Pinho, está convocando a empresa responsável pelo serviço para tentar amenizar a despesa, que seguirá até outubro próximo, pois o contrato foi assinado ano passado pela gestão anterior. 

“São 7,14 milhões por ano, que inclui locação de equipamentos (radares) e processamento das multas. O envio das notificações e multas fica por conta da Administração, que paga em torno de R$ 7 mil mês para os Correios. Não sobra nada para a manutenção, engenharia e circulação do trânsito. É preciso readequar o contrato. Não dá para gastar praticamente 100% da receita para manter radares, até porque o objetivo da nova secretaria não é penalizar as pessoas, mas organizar o trânsito e educar os motoristas”, afirma Luiz Venâncio.

O secretário explica que o dinheiro do Fundo provêm de arrecadação de multas aplicadas pela Polícia Militar, Guarda Municipal, agentes de trânsito e da outorga de concessão de exploração do transporte público, pela Translitoral, na ordem de R$ 50 mil. 

“Estamos sem um contrato de guincho. O Fundo está deficitário. Numa administração séria, o dinheiro do Fundo teria que garantir a sinalização viária horizontal e vertical, manutenção semafórica, serviço de guincho, pátio de trânsito e os radares. Não precisa ser muito inteligente para perceber que o foco anterior era multar o cidadão”, dispara o secretário, enfatizando que antes de penalizar, é preciso oferecer vias bem cuidadas, sinalizadas e seguras. 

Ao seu lado, Marco Pinho afirma que o contrato dos radares não deveria estipular valor fixo, mas percentual. “Com o tempo, as pessoas se adaptam ao local dos radares e não são mais multadas. A arrecadação cai e o valor pago à empresa prestadora de serviços se mantém. A cidade tem um limite médio de 50 km por hora. Um radar móvel, sem sinalização de advertência, não é educativo. Não pode haver pegadinhas”, afirma Pinho.     

Para os novos homens de segurança e trânsito de Guarujá, o novo foco será disciplinar a cidade. “Não justifica colocar radar escondido para pegar o motorista. Radar é para evitar acidentes em local de grande fluxo de pessoas, principalmente crianças. Radar serve para proteger e não para penalizar”, finaliza ­Venâncio.

 

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