Banner Sabesp

Concentração de bituca de cigarro é maior no canal 3

É o que indica o resultado parcial de um levantamento realizado desde abril de 2017 pelo Instituto Mar Azul (IMA)

Comentar
Compartilhar
02 JAN 2018Por Vanessa Pimentel10h00
Foi a observação da grande quantidade deste tipo de resíduo que fez o instituto Mar Azul dar início ao Projeto MicrolixoFoto: Fernando Yokota

Imagine uma caminhada pela faixa de areia que liga o canal 3 ao 4, em Santos. O passeio é agradável, mas a chance de você encontrar grandes concentrações de bitucas de cigarros neste pequeno trecho é maior do que se você optar por caminhar do canal 3 ao 6. Se o passeio entre os dois canais (3 e 4) for feito pelo calçadão, a probabilidade de avistar esses “pequenos” inimigos do meio ambiente é ainda maior.

Pelo menos é o que indica o resultado parcial de um levantamento realizado desde abril de 2017 pelo Instituto Mar Azul (IMA), sobre a presença de microlixo e pequenos resíduos nas praias santistas. A previsão para a conclusão do estudo é abril de 2018 com o mapeamento da faixa de areia e calçadão que vai do canal 2 até a divisa com São Vicente.

“Nós queremos diagnosticar o motivo dessa concentração ser maior entre o canal 3 e 4, mas de qualquer forma o dado é alarmante porque mostra que a sociedade ainda não enxerga o que sobra do cigarro como lixo”, alerta o presidente do IMA, Hailton Santos.

Em números, a soma das bitucas retiradas da areia e do calçadão entre o Aquário (6) e o canal quatro (3.283) foi menor do que a quantidade encontrada no mesmo trecho do canal 3 ao 4 (3.856).

Vale ressaltar que as coletas foram realizadas em áreas delimitadas da praia, em oito mutirões, a partir das 10 horas da manhã, ou seja, depois que as equipes de limpeza da prefeitura já realizaram a higienização das praias. “Isso leva a crer que se os mutirões fossem realizados em outros horários, as quantidades iriam aumentar consideravelmente”, diz Hailton.

Riscos

Além das bitucas, os mutirões retiraram da areia e do calçadão das praias de Santos fragmentos de plásticos, isopor, canudos, embalagens de balas, tampinhas de garrafas e cotonetes. O resultado final somou 67 quilos de resíduos num total geral de 28.952 fragmentos de resíduos diversos.
“Os dados mostram que as praias estão limpas apenas do lixo visível, sem considerar os riscos que o microlixo traz ao meio ambiente”, ressalta Hailton.

Projeto Microlixo

Foi a observação da grande quantidade deste tipo de resíduo que fez o instituto Mar Azul dar início ao Projeto Microlixo.

“Em 2018 os mutirões continuam até que o mapeamento das praias seja finalizado. Com o resultado final vamos propor, junto ao poder público, a população, os comerciantes da praia e aos órgãos ambientais, soluções para o problema, como, por exemplo, a reciclagem das bitucas”, explica Hailton.

Enquanto isso, segundo o presidente da entidade, é preciso contar com o bom senso dos frequentadores da praia e com a consciência em recolher todos os resíduos que não façam parte da paisagem, por menor que ele seja.

Verão no Clima
Na próxima quinta-feira, 4 de janeiro, às 12 horas, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SMA) lançará o projeto “Verão no Clima 2018”, na praia do Boqueirão, em Santos. A ação da Secretaria se estenderá aos 16 municípios do litoral paulista, durante 27 dias. O objetivo do trabalho é  conscientizar turistas, que escolheram o litoral para passarem as férias, e população local a manterem as praias limpas.

O IMA realizará um mutirão em parceria com o projeto no dia 3 de fevereiro. Qualquer pessoa pode participar.

Colunas

Contraponto