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Protesto de caminhoneiros causa lentidão na Anchieta

Ação nacional foi organizada contra o aumento nos impostos; mobilização também pede mais segurança nas estadas, preço mínimo para o frete e aposentadoria especial

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01 AGO 2017Por Rafaella Martinez08h54
O ato teve início às 6h da manhã, quando trabalhadores começaram a se concentrar no viaduto da Alemoa e bloquearam a alça de acesso ao Porto de SantosFoto: Matheus Tagé/DL

O protesto nacional dos caminhoneiros contra o aumento dos combustíveis provocou congestionamento de mais de quatro quilômetros na entrada de Santos. O ato teve início às 6h da manhã, quando profissionais começaram a se concentrar no viaduto da Alemoa e bloquearam a alça de acesso ao Porto de Santos, o que refletiu no tráfego de veículos na rodovia Anchieta por quase doze horas.

A mobilização também pediu mais segurança nas estadas após o corte de verbas destinadas a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Federal, preço mínimo para o frete e aposentadoria diferenciada para os caminhoneiros.

De acordo com Rodrigo Aparecido Félix, vice-presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam), o ato foi pacífico e teve como principal objetivo chamar a atenção para os problemas enfrentados pelos trabalhadores.

“O combustível aumenta e isso afeta significativamente os profissionais. No Estado de São Paulo enfrentamos outro problema grave que é a cobrança de pedágio por eixo erguido, que é o valor cheio mesmo quando o caminhão está sem carga. Estamos dando respaldo para essa luta justa dos caminhoneiros da região”, conta.

Trabalhando há mais de 15 anos com transporte de cargas, Ary Junior cita que desde 2001 o frete nas estradas não teve reajuste. “Estamos sem condições de trabalhar. As estradas estão perigosas, não temos onde parar e dormir em segurança e para piorar estamos pagando valores absurdos de combustíveis”, afirma.

Mais de 300 trabalhadores aderiram à paralisação, que terminou apenas no fim da tarde. 

Embora não tenha aderido ao movimento, o caminhoneiro Rafael Gobbo passou parte do dia na fila, aguardando para carregar o caminhão e seguir viagem para Ribeirão Preto. “Apoio a paralisação. Está na hora de brigarmos pelos nossos direitos, caso contrário não teremos empregos dignos amanhã”, finaliza.

Sindicalista diz que a cada R$10 que o consumidor paga pela gasolina, 47% (R$4,70) são impostos (Foto: Matheus Tagé/DL)

Postos de combustíveis fazem campanha contra alta de impostos

‘Essa conta não é nossa. Não ao aumento de impostos!’. A frase foi afixada em um cartaz com um fundo preto, simbolizando o luto em diversos postos de combustíveis do Brasil nesta terça-feira, coincidindo com os protestos dos caminhoneiros. A mobilização nacional acontece contra o aumento de tributos e tem como objetivo conscientizar a população sobre a tarifação das bombas.

De acordo com José Camargo Hernandes, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Santos e Região (Sindicombustíveis Resan), a cada R$10 que o consumidor paga pela gasolina, 47% (R$4,70) são destinados para o pagamento de impostos. 

“Os revendedores foram tão prejudicados quanto os consumidores. Em alguns casos, sequer conseguimos repassar o valor total de aumento. Muitos postos estão absorvendo os reajustes para não afastar os clientes”, explica.

De acordo com Hernandes, os aumentos repassados pelas distribuidoras estão sendo constantes e embora aparentemente pequenos, são volumosos na conta final.

“A mobilização é contra o aumento da alíquota do PIS/Confins (em vigor desde o dia 21 de julho). No diesel, 26% do custo do litro se traduzem em tributos e os maiores prejudicados são os caminhoneiros.

Estamos fazendo esse ato a nível nacional para conscientizar os consumidores de que esse dinheiro não está vindo para o bolso dos donos dos postos. Pelo contrário, ele está saindo do bolso de todos nós e indo para os cofres do governo”, finaliza.
 

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