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Caio Matheus fala em gestão de enfrentamento

Prefeito assume Bertioga com preocupação inicial nas áreas de saúde, serviços urbanos, segurança e turismo

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02 JAN 2017Por Bruno Gutierrez09h30
Caio Matheus (PSDB) assumiu oficialmente, hoje, a prefeitura de BertiogaFoto: Rodrigo Montaldi/DL

Uma gestão de enfrentamento. É o que defende e prega Caio Matheus (PSDB), que assumiu oficialmente a prefeitura de Bertioga. O novo chefe do Executivo chega ao comando do município após oito anos da gestão Mauro Orlandini.

Matheus espera um primeiro ano de dificuldades, mas ressalta que fará um enxugamento na máquina pública. “Vai haver um enxugamento, isto é necessário. O ano de 2017 será de enfrentamento. Um ano que, a nível de gestão, vai haver muito pulso firme para contenção de gastos, diminuição de despesas, mas com muita responsabilidade. Ajustes serão feitos. Precisamos ter um equilíbrio econômico, financeiro, da peça orçamentária do município e melhorar o planejamento administrativo, essa questão logística”.

O prefeito se comprometeu a ter um governo transparente e diálogo aberto com a população e garantiu não se preocupar em, no futuro, se será lembrado como político. Por diversas vezes, Caio Matheus afirmou ser um gestor técnico, e não político.

“Cada gestor, cada político, tem uma vertente diferente. Um aflora para o lado político e outro para o lado técnico. Quem me conhece sabe que sou mais técnico do que político. Aliás, não me preocupo nenhum pouco de ser lembrado meramente como político daqui há quatro anos. Quero ser lembrado como gestor. A Prefeitura será tocada como uma empresa. Com cobrança de resultados, com cronograma, com implantação de novas políticas. Temos que ter transparência, passar sempre esse entendimento para a população. Acompanhar o processo todo com transparência. Entender desde o começo como a gente recebeu. Em alguns momentos, quando acharem que algo está demorando um pouco mais para acontecer, elas entenderem porque tecnicamente aquilo pode não acontecer atendendo as expectativas de cada um”.

Caio Matheus defendeu a realização de uma nova reforma administrativa nos primeiros meses de governo. Entre as alterações, ele chamou a atenção para a diminuição dos cargos comissionados e criticou a lei municipal 93/2012, que aumentou o número de cargos de livre provimento. Segundo o chefe do Executivo, isso gerou um custo de R$ 7 milhões/ano para a prefeitura de Bertioga.

“Importante destacar em uma cidade de custeio tão alto, que falta receita de capital para investimentos, tem que ser feita essa conta. A título comparativo, para mensurarmos, o que representa R$ 7 milhões a nível de investimentos? É média que Bertioga recebe de verba Dade anualmente. O que dá para fazer com isso? Com a verba Dade, que é proveniente da Secretaria de Turismo do Estado, vamos dizer que as últimas obras que ocorreram no município nesse volume de verba foram a 17 de maio, a orla da praia, etapas um, dois e três. Isso para se ter uma dimensão do que poderia ser feito com isso”.

Início do ano

Para os primeiros meses do ano, no período de alta temporada, Caio Matheus terá uma atenção especial com quatro áreas, além de Governo, Administração e Finanças, as quais ele classificou como secretarias “guarda-chuva”. São elas Saúde, Serviços Urbanos, Segurança e Turismo.

Na área da saúde, chefe do Executivo adiantou que irá manter, pelo menos no início, a gestão própria de equipamentos como o hospital municipal. A ideia é realizar um planejamento para, no segundo trimestre, avaliar qual a melhor forma de conduzir esses equipamentos. O tucano também adiantou não ser contra as terceirizações.

Matheus também destacou que a população de Bertioga salta de 60 mil para 400 mil no período de temporada, além do município ser uma referência em pronto-atendimento e urgência devido a proximidade com as rodovias Rio-Santos e Mogi-Bertioga.

“É necessário ter planejamento estratégico para suprir essa demanda. Quando se fala em saúde, muitas vezes dependendo da necessidade do atendimento, a diferença entre ter o serviço ou não é a diferença entre a vida e a morte. Principalmente em casos de emergência”.

Em segurança, o prefeito destacou a necessidade das rondas da Guarda Civil Municipal (GCM) ser realizada em duplas para que não ocorra casos como o do guarda municipal Nilton Cesar Inácio, que foi baleado durante um assalto enquanto realizava uma ronda no Forte São João, em 14 de novembro e veio a falecer no último dia 21. Além disso, o tucano disse que a segurança está defasada na cidade.

“Sabemos que, não só na GCM mas também nas polícias Militar e Civil, nós temos um efetivo desfasado que condiz com uma realidade de demanda de população de15 anos atrás. Existe uma sucessão de tarefas a serem feitas para que se possibilite a abertura de um novo concurso. Ele é mais do que necessário. É urgente e precisamos fazer isso. Mas precisamos arrumar a casa para que isso seja possível”.

Em serviços urbanos, o tucano citou como prioridades a manutenção da limpeza pública, infraestrutura viária, roçada, desassoreamento de valas, coleta de lixo e ter o serviço tapa-buracos organizado.

Já para o turismo, o chefe do Executivo ressaltou que irá buscar investimentos junto a iniciativa para desenvolver a questão no município e citou os diversos atrativos bertioguenses.

“Trabalhar com o que tem, com o que foi nos entregue. E segundo, usar também a imaginação. Se reinventar num momento de dificuldade, trabalhar muito, buscar parceiros, patrocinadores. Estudar iniciativas de baixo ou nenhum custo e buscar parceiros. Bertioga, na questão turística, tem o que o dinheiro não compra. É uma natureza exuberante, praias lindas, 39 quilômetros de praias, canal, três bacias hidrográficas maravilhosas, o forte que é o primeiro do Brasil. Tudo isso são atrativos para trazer patrocinadores, pessoas para conhecer Bertioga e entender que Bertioga, turisticamente falando, é interessante para se investir e praticar veraneio nas quatro estações do ano”.

Outra necessidade é a criação do Plano Municipal de Turismo e usar a pasta para desenvolver também o emprego e a economia. “A questão turística eu enxergo como uma mola para nós darmos elasticidade nessa questão de fortalecimento de economia, do comércio. Trabalhando em todas as vertentes do turismo: histórico, náutico, de pesca, ecológico, até religioso”.

Secretariado

Caio Matheus reiterou a confiança nas pessoas escolhidas para compor o secretariado da cidade, mas também disse que todos serão cobrados e, em um recado velado, lembrou que assim como cabe ao prefeito a livre nomeação, também cabe a exoneração.

“Elas vão desempenhar bem os papéis. Todas as pessoas que estão sendo anunciadas é por mérito, por capacidade, por eu acreditar e ter confiança nessas pessoas. Anunciei todos os secretários de maneira tranquila. Não foi pagando nada que foi vendido, vamos dizer assim, mas por critério. Gosto de dizer uma coisa: todos os cargos comissionados é facultativo ao prefeito a livre nomeação e exoneração. Quero ser um braço firme, um ombro amigo para auxiliar nesse processo de reconstrução de Bertioga. Eu, como venho fazendo na iniciativa privada há mais de 20 anos sendo gestor na gestão privada, não farei diferente na gestão pública. É claro que num ambiente público existem dificuldades a mais para serem enfrentadas, mas com dinamismo, com as pessoas certas, com enfrentamento, com acompanhamento”.

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