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Cadeia Velha tem futuro incerto após término de contrato com a Poiesis

Instituto Poiesis não administrará Oficinas Culturais Pagu em 2017; Estado estuda novo modelo de gestão

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25 NOV 2016Por Rafaella Martinez08h00
Reaberto sem capacidade plena de uso, imóvel da antiga Casa de Câmara e cadeia pode ficar sem uso com o fim da administração da Poiesis na Oficina Cultural PaguFoto: Rodrigo Montaldi/DL

Um novo capítulo da novela da Cadeia Velha de Santos começa a se desenhar: recém-inaugurada, – após reforma de mais R$ 10,6 milhões – a destinação do ­imóvel a partir de 2017 está indefinida. Isso ­porque o contrato de gestão e termo de permissão de uso com a Organização Social de Cultura Poiesis, que administra as ­oficinas culturais PAGU em nível estadual, se encerrará em dezembro deste ano. Com a saída da O.S., o receio da classe artística é que o espaço fique ocioso ou seja ­cedido para a ­Administração Municipal­.

Questionada, a Secretaria de Cultura do ­Estado garantiu que a Cadeia Velha continuará tendo uso cultural após o término do convênio. Disse ainda que estuda novo modelo de gestão do programa, com ­participação de parceiros, para continuar garantindo o atendimento ao público com atividades de formação cultural­.

O encerramento do contrato teria ocorrido em virtude da queda de repasse do Governo do Estado para o Instituto, o que limitou de forma significativa as atividades propostas nas oficinas. A reportagem entrou em contato com a Poiesis que não confirmou, tampouco ­desmentiu a informação. Disse apenas que não ­administrará as Oficinas Culturais a partir de 2017 e que o novo modelo de gestão será definido pela Secretaria de Cultura.

Já a Prefeitura de Santos afirmou que atualmente não há estudo para assumir a ­administração do local. “A Secretaria Municipal de Cultura não foi ­procurada pelo Governo do Estado para discussão deste assunto”, afirma a nota enviada à redação.

Fechada desde dezembro de 2011, a Cadeia Velha de Santos só foi reinaugurada parcialmente em agosto de 2016. Conforme antecipado pelo Diário do Litoral em ­junho, o local foi aberto sem recursos para o ­início das atividades e sem mobiliário ­específico.

Na ocasião, a secretaria de Cultura de Cultura do Estado ­informou que após a reabertura, o ­centro ­cultural contaria com mudanças de forma gradativa, com a aquisição de novos equipamentos no auditório do térreo, licitação de uma ­cafeteria e livraria no mesmo piso e também para a Sala Plínio ­Marcos, no andar superior.

Nenhuma das propostas foi ­concretizada nesses ­quatro meses de uso do espaço, que apenas sediou festivais como o FESTA, Curta Santos e Valongo ­Internacional por conta de parcerias específicas.

Abandono, municipalização e museu: destinos possíveis para o imóvel centenário

O destino da Cadeia Velha é debatido por gestores e artistas desde 2012, quando uma vistoria realizada pela Secretaria de Estado da Cultura constatou sérios danos estruturais no equipamento.

Em meados de 2013, a Prefeitura apresentou a ideia de uso compartilhado ou de municipalização do imóvel. A proposta, porém, não seguiu adiante após reivindicação da classe artística, que temia que o processo colocasse fim às atividades das oficinas culturais que eram realizadas no espaço.

Em dezembro de 2014 começam os rumores de que após o término das obras a Cadeia Velha se transformaria em um Museu. Uma audiência pública foi realizada em maio de 2015 com o objetivo de ouvir a proposta de artistas e população para definir o futuro do imóvel.

Em julho de 2015 uma decisão conjunta da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo e Secretaria de Cultura de Santos (Secult) determinou que, após o término das obras, a Cadeia funcionaria como espaço de apoio à produção artística local e se chamaria Centro Cultural Nova Cadeia Velha.

Em janeiro deste ano um grupo de empresários santistas decidiu buscar apoio da população para que o equipamento abrigue o Museu Histórico de Santos. A iniciativa previa a ocupação de todas as áreas da antiga Casa de Câmara e Cadeia, transformando o espaço em um museu de caráter pedagógico e turístico.

A ideia foi descartada em anúncio do então secretário do Estado da Cultura, Marcelo Araújo, que determinou que o espaço seria um Centro Cultural, tendo um conselho gestor composto por integrantes da sociedade civil, Estado e ­Prefeitura. O conselho gestor nunca foi definido­.

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