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Banca de artesanato no Itararé chama a atenção de quem passa por São Vicente

Além da singularidade das peças, a maneira como os produtos são expostos muda a paisagem urbana

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26 NOV 2016Por Vanessa Pimentel10h00
Há dois anos trabalhando na banca, Raimundo chama a atenção de quem passa pelo local, transformando os jardins ao redor em um verdadeiro quintal de casa de praiaFoto: Matheus Tagé/DL

Quem passa pela Avenida Manoel da Nóbrega, na Praia do Itararé, em São Vicente, visualiza próximo ao teleférico, uma banca um tanto quanto diferente. Além de não vender jornais ou revistas, está de costas para a rua. Não só pela disposição curiosa, mas pelos produtos que expõe, o lugar chama atenção, diminui o andar de quem anda apressado e muda a paisagem urbana. Entre prédios e automóveis, a arte exposta no pequeno comércio transforma os jardins que emolduram o trilho do VLT em um quintal de uma casa de praia.

Redes, luminárias, arandelas, cadeiras de balanço, móveis reformados e peças tão originais que até mesmo quem está imerso na rotina diária, levanta os olhos para ver do que se trata, visto o número de olhares interessados que a reportagem percebeu enquanto esteve no local para entrevistar o criador das obras expostas.

Raimundo Pereira de Souza, de 53 anos, trabalha com arte desde que “era criança e levava café para o meu pai”, responde ele antes mesmo da pergunta terminar. Nascido e criado na cidade de Governador Valadares, interior de Minas Gerais, conta que o pai sustentou a família reformando móveis e foi ele o responsável por ensinar o ofício que mantém até hoje. “Vim tentar a vida em Santos quando fiz 18 anos. Trabalhei em outros lugares, mas quando a pessoa tem um dom, não da pra fugir, vem lá de cima”, afirma enquanto aponta para o céu.

Céu que, inclusive, é o telhado do escritório de Raimundo e o que, acredita ele, ajuda em suas inspirações. “Geralmente a criação acontece quando eu estou sozinho e pensativo. Visualizo a forma, o material que vou precisar e faço. É tudo manual”, explica enquanto termina o trançado do assento de mais uma cadeira.

O material que usa para trabalhar é basicamente bambu, palha, madeira e cedrinho. O nome escolhido para chamar a banca “Serra Verde - Arte em Palha” surgiu devido à localização do comércio, ao pé do Morro do Voturuá.

Raimundo explica que além das mais de 50 criações, a reforma de mobiliários atrai muitos clientes. Alguns optam pelo conserto devido ao valor emocional agregado a peça.

“Tem gente que ganhou o móvel de um familiar e por isso não quer jogar fora”, esclarece. A crise financeira também é um dos fatores, já que o preço cobrado pelo conserto geralmente é mais baixo do que adquirir um produto novo. Da mesma forma, existem os fregueses que adotaram o consumo sustentável, ou seja, estendem a vida útil do produto e só compram algo novo quando realmente é necessário.

Estúdio-casa

Além da banca servir de estúdio, funciona também como uma extensão da casa de Raimundo, já que ele mora em um dos prédios em frente ao local onde trabalha. Achar qual dos apartamentos é o dele não é tarefa difícil. Basta olhar as luminárias penduradas na varanda para perceber que ali é um lar típico de quem trabalha com arte.

Durante a noite, a beleza dos produtos é realçada com as luzes acesas em diferentes tons e cores.

Observar um pouco da rotina profissional de Raimundo, traz a impressão que o tempo não passa tão rápido quanto parece e que a tecnologia fica em segundo plano, pelo menos naquela metragem ocupada pelo artista.

Temporada

Questionado sobre a expectativa da chegada dos turistas, Raimundo disse estar animado com o aumento nas vendas, porém, não tanto como em outros verões.

A preocupação se refere ao automóvel que ele usava para levar os produtos e expor em outros lugares como Guarujá, Bertioga, Maresias e Ilha Bela. “Eu ligava as luminárias na bateria do carro e montava a minha exposição. Fazia até fila. Muitas casas e lojas do Litoral Norte tem um quê de Seu Raimundo”, brinca.

Como estava velho, o veículo começou a dar prejuízo e Raimundo preferiu vendê-lo. “Não pode se desesperar, né. Eu desejo comprar outro, mas, vamos ver. As coisas acontecem”, pondera.

Enquanto isso, Raimundo segue empenhado em deixar mais leve os ambientes decorados com as peças que produz. Para encontrá-lo, basta caminhar pela orla da praia de São Vicente. A banca mais iluminada que avistar é a dele.

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