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Atendimento animal: ‘temos que parar com a politicagem e resolver com PPP’

Eduardo Filetti diz que Parceria Público Privada acabaria com falta de atendimento

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18 JUN 2017Por Carlos Ratton11h01
"Se a Prefeitura de Santos pagar para os veterinários R$ 50,00 por consulta, dá para fazer mil atendimentos com R$ 50 mil. Eu, por exemplo, resolveria a demanda da Cidade. ", disseFoto: Diário do Litoral

No início do mês, um grupo formado por ativistas ambientais e defensores da vida animal de Santos mostrou descontentamento com a atuação da Coordenadoria de Defesa da Vida Animal (Codevida), órgão municipal, subordinado à Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que não estaria cumprindo sua função e diminuiu substancialmente o atendimento em Santos.

Há 10 dias, um cão foi mordido por uma jararacuçu (cobra bastante venenosa) no bairro de Humaitá, em São Vicente. O animal sobreviveu graças ao soro antiofídico fornecido pelo veterinário Eduardo Filetti, pois o Município não possuía a medicação.

Neste Papo de Domingo, Filetti só vê uma alternativa para os municípios atenderem os animais de forma competente: parceria público privada (PPP). Confira a ­entrevista.

Diário do Litoral – É comum faltar medicamento nos órgãos públicos?
Eduardo Filetti –
Sim. E essa cobra costuma entrar nas residências. É um soro caro, tem validade restrita. Por isso, as prefeituras costumam não possuir o medicamento, que custa em média R$ 600,00. Não sabemos como estão as redes municipais, mas também é preciso dos soros para aranhas e escorpiões. Pelo menos nos hospitais ­deveriam ter.

DL – Há outras deficiências no setor público nessa área?
Filetti –
Tivemos alguns avanços e, agora, estabilizamos. Temos setores de zoonose, que é responsável em prevenir doenças do ser humano para o animal e vice-versa. Um morador de rua com sarna passa a doença para o cão. Se o gato urinar na praia, você pisar e entrar em casa, você passa doença para o cão. Temos médicos veterinários abnegados, mas é preciso mais plantel e um trabalho nas escolas. Um simples vermífugo e você cura uma zoonose, uma toxoplasmose, cujo gato é o hospedeiro. Zoonose é para cuidar de doenças e não para castrar animais, cirurgias e outros serviços.

DL – Esse setor não está funcionando nos municípios?
Filetti –
Poderiam ter uma função mais atuante. É preciso conscientizar as crianças. O poder público peca nesse sentido. Também há deficiência de material para trabalhar e as pessoas costumam culpar os profissionais.

DL – Recentemente, a Codevida foi bastante criticada.
Filetti – Sou profissional de veterinária, ativista e protetor da vida animal. Mas não sou militante de rua. Os protetores estão reclamando da Codevida que, por sua vez, está fazendo as castrações. Mas, de uma certa maneira, há equívocos. Tem gente utilizando o serviço de alto poder aquisitivo. O serviço público é para pessoas que não possuem condições e por bairros. O que um cachorro que vive em uma cobertura vai impactar na rua? Outra coisa, o equipamento público não pode fechar nos feriados prolongados e finais de semana. E aí, os veterinários particulares que estão abertos acabam atendendo em solidariedade, o que não é justo, pois também pagam os impostos para que o serviço ­funcione. Tem gente que confunde e ainda briga com nossa atendente. Também é preciso conscientizar sobre a guarda ­responsável e não posse, que é relacionada a objeto, um relógio, por ­exemplo.

DL – O hospital veterinário seria uma opção?
Filetti –
Não vai adiantar. Antes de inaugurar o equipamento e colocar plaquinha de inauguração, é preciso corrigir as deficiências existentes. A Prefeitura de São Paulo gastou R$ 10 milhões para construir o hospital veterinário, os canis estão lotados e o atendimento saturado. O gasto mensal é de cerca de R$ 1  milhão e o hospital atende, praticamente, só a classe média. Só há um jeito de resolver: uma Parceria Público-Privada (PPP). Eu sugeri isso para todos os candidatos a prefeito de Santos e estava na maioria dos planos de governo deles. Mas ninguém faz.

DL – Foi denunciado um castramóvel parado no Horto.
Filetti –
Esse tipo de equipamento não é reconhecido pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária, que acredita que o castramóvel não proporciona condições totais atendimento. Além disso, existe o gasto com esse veículo – gasolina, equipamento, profissional, segurança e outros. Sai muito mais caro do que uma clínica fixa.  

DL – Tem uma alternativa mais econômica para o município?
Filetti –
Veja bem. É cobrado em média entre R$ 80,00 e 100,00 numa consulta. O hospital de São Paulo faz 600 consultas por mês e a Prefeitura de lá gasta R$ 1 milhão. Se a Prefeitura de Santos pagar para os veterinários R$ 50,00 por consulta, dá para fazer mil atendimentos com R$ 50 mil. Eu, por exemplo, resolveria a demanda da Cidade. Temos que parar com a politicagem e resolver o problema. É muito mais barato fazer uma PPP com alguns veterinários do que construir um hospital veterinário. Vou construir uma sala e oferecê-la como PPP para a Administração. Os prefeitos precisam pensar nisso.

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