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Aquino propõe projeto piloto para a dragagem do Porto

Proposta do presidente da FENOP é que trabalhos passem a ser administrados por um consórcio formado por arrendatários e operadores

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06 JUL 2017Por Da Reportagem10h00
Sérgio Aquino comparou dragagem a um sistema respiratório para o Porto e citou que ausência dos trabalhos causa prejuízo de até R$ 5 bilhões ao ano para o PaísFoto: Matheus Tagé/DL

Operações de dragagem sendo controladas por um consórcio formado por arrendatários e operadores portuários. Essa é a proposta do presidente do presidente da Federação Nacional dos Operadores Portuários (FENOP), Sérgio Aquino, para os problemas com os trabalhos no Porto de Santos.

A ideia da FENOP é a realização de um projeto piloto em Santos, para ser futuramente adotado em outras localidades. “Não dá mais para continuar a dragagem do jeito que está”, destacou.

A proposta foi apresentada na última terça-feira, durante audiência pública realizada na Câmara dos Deputados, em Brasília, e que abordou futuro das Companhias Docas e as funções essenciais das Autoridades Portuárias para o desenvolvimento do setor portuário nacional.

O presidente da FENOP, comparou a dragagem a um “sistema respiratório do Porto” e que a centralização do sistema causou um grave problema. “Piorou o que antes tinha problemas pontuais, que vinham se avolumando. Deixou de ser problema pontual para ser o problema”, ­comentou.

Para exemplificar as dificuldades enfrentadas por causa da dragagem, Aquino citou que navios de contâineres não puderam deixar o Porto, na última semana, devido a profundidade do calado.

“Da noite para o dia, (navios de contâineres) receberam informação de que tinha um problema no canal e que não dava mais para sair. Tiveram que ficar parados. Navios de grãos tiveram que ter as suas programações de embarque revistas porque não iriam conseguir sair se carregassem totalmente. Isto é uma vergonha para um país que quer ser competitivo no comércio ­exterior”, disse.

O Porto de Santos perdeu profundidade e o limite de seu calado operacional) foi reduzido no trecho 1 do canal de navegação. Apenas embarcações com até 12,3 metros de calado podem trafegar na região que vai da entrada da Barra até o Entreposto de Pesca. Antes da redução, navios com até 13,2 metros de calado estavam autorizados a trafegar em condições normais de maré.

Com isso, navios deixam de ser totalmente carregados no Porto de Santos. No entanto, o valor do frete permanece, o que causa um sobrepreço. Aquino comparou a situação a de uma ­corrida de táxi.

“É como se fosse um taxímetro. O táxi vai cobrar a mesma coisa se tem um, dois ou três passageiros dentro. O custo do navio vai ser a mesma coisa se ele carregar 100%, 80% ou 70% da ­capacidade”, analisou.

De acordo com o representante da FENOP, para cada metro a menos de calado, são 700 toneladas, e pra cada centímetro, oito contêineres a menos que são possíveis carregar num navio.

“Isso representa frete mais caro. E para cada metro representa 7.500 toneladas a menos que um navio Panamax pode carregar de soja. Sabe o que significa, o preço do frete dessas 7.500 toneladas é distribuído pelas outras”, exemplificou.

Sérgio Aquino apontou que o Brasil desperdiça, por ano, R$ 5 bilhões devido ao sobrepreço em função da ausência de dragagem em portos do País. “Isto é ineficiência da administração portuária”, concluiu.

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