Após a repercussão da matéria veiculada na última quinta-feira pelo Diário do Litoral, a diretoria técnica da Santa Casa de Santos garantiu que tentará – na próxima segunda-feira – o encaminhamento do menino Diego Mendes, de 11 anos, para atendimento especializado no Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC). As informações são da mãe Cristiane Regina Mendes, que desde a última quinta está em conversação com o hospital.
A indicação do GRAACC foi feita por uma leitora do Diário, que após ler a reportagem entrou em contato com a amiga da família que acompanha o caso, Gilmara Salazar. A mulher informou que o Grupo tem uma equipe específica para tratar o Tumor de Wilms e que o hospital pode pedir o encaminhamento para atendimento no local. Desde então, a busca de Cristiane é por alguém do hospital que possa fazer esta ponte, já que a transferência precisa ser tratada de “médico para médico”, como explica a mãe de Diego.
Diego convive com as consequências do Tumor de Wilms – um tumor renal maligno mais frequente em crianças – há três anos. Em três cirurgias realizadas até então, o garoto precisou retirar um rim, o baço, um pedaço do fígado, metade do pâncreas e o pulmão esquerdo por conta da doença.
Após a última cirurgia, Diego foi encaminhado para tratamento no Hospital Santa Marcelina. Mas, desde então, vem sofrendo recaídas cada dia mais graves, segundo a mãe. “Ele só volta para o Santa Marcelina em último caso. Depois que ele passou por tratamento lá, ele saiu pior do que quando chegou e cada dia piora mais”, explica Cristiane.
A intenção da mãe é que o filho seja tratado em outro hospital e enxerga o GRAACC como uma esperança. “O diretor se comprometeu a tentar o encaminhamento na segunda-feira. Não conseguiu hoje (sexta-feira) por conta do recesso do feriado. Até lá, Diego vai recebendo as medicações de sempre”, complementa.
Denúncia
A mãe de Diego denunciou ao Diário do Litoral a falta de médico especialista na Santa Casa de Santos. O garoto está internado no hospital há uma semana. “Eles alegam que não tem médico que cuide do caso dele. Eles falam que só tem médico para leucemia. Só passam remédio para dor e tentam diminuir a febre. Meu filho vai ficar aqui até não aguentar mais”, lamentou a mãe na última quarta-feira à Reportagem do DL.
Os primeiros sintomas da doença apareceram em abril de 2013. Diego apresentou dores fortes no abdômen e teve o câncer confirmado pelos médicos da Santa Casa, onde iniciou o tratamento. Desde então foram três cirurgias e muitos meses de quimioterapia. O início do tratamento foi na Santa Casa de Santos. “Eles deram 85% de chance de cura. Ele fez ‘quimio’ por um mês e fez a primeira cirurgia. Tirou um rim e parte do fígado. Então, fez mais um ano de ‘quimio’. Seis meses depois, veio a metástase e a segunda cirurgia para a retirada do baço e metade do pâncreas. A terceira cirurgia foi para a retirada do pulmão esquerdo”, detalha Cristiane.
Os pontos da última cirurgia, realizada no dia 2 de março deste ano, ainda não foram retirados. E foi depois da última cirurgia que a situação de Diego se complicou. “O tumor se espalhou pelo pulmão e se instalou perto do coração, que está mais sensível agora. Por isso ele não pode fazer tratamentos muito agressivos logo após a cirurgia. Mas agora, ele piorou. A febre não para e ele sente muita dor no peito”, finaliza.
Santa Casa se posiciona sobre o caso
A superintendência da Santa Casa de Santos respondeu aos questionamentos da Reportagem nesta sexta-feira. O hospital confirmou que não tem um médico especialista em Oncologia Pediátrica. “Estamos buscando um oncologista pediátrico”, afirma o superintendente Augusto Capodicasa.
Segundo o hospital, Diego sempre foi bem atendido desde a primeira vez que deu entrada no hospital por conta da doença, no dia 19 de abril de 2013. “Ele foi atendido mais 150 vezes. No momento, a equipe médica está estabilizando a infecção que pode ou não ter relação com o tumor”, explica.
Capodicasa afirma ainda que o tratamento de Diego na Santa Casa é acompanhado pelo Hospital Santa Marcelina, de São Paulo, sob a orientação do oncologista pediátrico Renato Melaragno. “Este médico vinha semanalmente ao hospital, mas está impossibilitado de sair de São Paulo no momento. Mesmo assim, ele faz todo o acompanhamento de Diego pelo telefone. Estamos sempre em contato com o Hospital Santa Marcelina, que é referência no Estado”, completa.
O superintendente explica ainda que na próxima quarta-feira, dia 27, Diego tem uma consulta marcada com o doutor Renato Melaragno, no Santa Marcelina. “Quem encaminhou o Diego ao hospital de São Paulo foi a própria Santa Casa e todo o encaminhamento necessário, como a medicação e os procedimentos que devem ser seguidos, são indicados pelo médico de lá”.
Augusto Capodicasa também garante que a informação sobre a falta de pagamento dos médicos não procede. “Desde fevereiro deste ano, os salários de todos os funcionários da Santa Casa estão sendo pagos corretamente”, finaliza.
