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195 anos de Independência. O que temos a comemorar?

Em 1822, às margens do riacho Ipiranga, surgia a emancipação brasileira do reino de Portugal

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07 SET 2017Por Vanessa Pimentel10h00
Anteriormente chamada de Praça Municipal e Praça Marechal Deodoro, o nome Praça da Independência só foi oficializado em 16 de fevereiro de 1921 e entrou em vigor em janeiro de 1922Foto: Rodrigo Montaldi/DL

Dia 7 de setembro o país ganha um feriado para comemorar a Independência do Brasil. A tradicional data parece trazer a impressão de que, no passado, era mais comemorada. Os desfiles cívicos que fechavam importantes avenidas e atraiam a população, hoje já não são mais tão ­esperados.

Os jovens vestidos com uniformes da escola que conversavam na manhã de ontem na Rua Marcílio Dias, no Gonzaga, confirmam o ­desinteresse.

“Desfile? Na minha escola não tem”, respondeu João Felipe, de 16 anos quando questionado sobre a participação nas comemorações de 7 de setembro. A opinião sobre o significado da data também não estava ­formada.

“A professora de história deu uma aula esta semana falando sobre o Dia da Independência, mas não sei explicar o que ela falou”, justifica o jovem.

O amigo, Kauãn Scaramella, de 15 anos, disse que chegou a desfilar e jurar bandeira quando estudava em escola pública. Atualmente, estudando em uma instituição particular, Kauãn explica que sente falta do dia do desfile, mas o motivo seria a troca das aulas pelos ensaios.

“Era legal porque a gente ficava uns dias sem ter aulas por causa dos ensaios”, brinca o aluno, sem saber dizer o que o Dia da Independência significa.

A munícipe Célia Tassoni acha que o patriotismo acabou. De acordo com ela, há dias está procurando bandeiras e chapéus do Brasil, em vão. “Não acho mais. Lembro que antigamente, logo que entrava setembro, as lojas ficavam cheias de mercadorias com as cores do país. As crianças saiam carregando bandeiras, as pessoas as hasteavam nas janelas. Hoje em dia isso acabou”, acredita ela.

Célia relembra que na escola, o amor e o respeito ao país e às instituições políticas eram ensinados em sala de aula, por meio das disciplinas de Educação Moral e Cívica (EMC) e Organização Social e Política Brasileira (OSPB).

As duas matérias – que trabalhavam temas como cidadania, patriotismo e ética - foram extintas, em meados dos anos 1990. Para Célia, isso se reflete nos jovens de hoje que, de acordo com ela, não sabem a história do país.

Juan Luis é um chileno que mora no Brasil há 33 anos. Disse que veio para o país em uma época onde o seu lugar de origem estava ‘cinza’ por problemas políticos que o assolavam.

“Sempre fui apaixonado pelo Brasil porque ele é colorido: colorido na bandeira, nas festas, no povo. Eu queria ser mais atirado e falante como os brasileiros são”, declara o comerciante.

Porém, ele assume que ultimamente não sente mais que os brasileiros têm orgulho em pertencer ao país e acredita que as notícias diárias de corrupção são as responsáveis por este comportamento.

“As pessoas estão deixando o país e parecem que só sentem orgulho em dias de futebol da ­seleção”, cita.

Tempos atuais

Para o historiador Flávio Viana, a data foi importante para o surgimento do Estado  do Brasil e para manter a unicidade do território.  

Porém, ele explica o ato da Independência do país foi realizado sem a presença do povo, após Dom Pedro I receber a informação - através de uma carta de José Bonifácio e outra da princesa Leopoldina – que corria o risco de ser levado para Portugal à força, por isso abdicou do reino para se manter governando o Brasil.

Questionado sobre a ‘saudade do patriotismo’ relatado por algumas pessoas, Flavio acredita que os valores mudam com o tempo.

“O nacionalismo e o patriotismo eram impostos pela ditadura e pelos militares como uma forma de catequizar o aluno”, explica o professor.

Orgulho de ser brasileiro?

“A questão não é ter orgulho de ser brasileiro, mas a vergonha de ser humano. Ainda vejo atitudes extremamente preconceituosas que usam o patriotismo e o nacionalismo como argumentos”, diz a atriz e empreendedora Sarah Antunes.

Ela acredita que o senso de patriotismo precisa acabar em um mundo globalizado. “Não dá para defender o nacionalismo com o problema dos refugiados batendo na porta. É legal sentir orgulho do país, mas usar isso para promover a exclusão dos povos não faz sentido”, justifica Sarah.

Em relação à comemoração da Independência do Brasil, é objetiva: “estou esperando  a independência acontecer ainda”.

O que aconteceu em 7 de setembro?

Há 195 anos, em 7 de setembro de 1822, às margens do riacho Ipiranga, atual cidade de São Paulo, o Príncipe Regente Dom Pedro I gritava "independência ou morte" para o Brasil. O ato estabeleceu a emancipação brasileira do reino de Portugal.

No final de agosto de 1822, depois de se deslocar para São Paulo com o propósito de apaziguar uma rebelião contra José Bonifácio, D. Pedro I resolveu romper os laços de união política com Portugal, mesmo com seu pai, o rei D. João VI, pedindo para que ele voltasse à Portugal imediatamente.

Com a emancipação, D. Pedro I foi coroado Imperador do Brasil.

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