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Zagueiro russo de 38 anos encerra a carreira após queda na Copa do Mundo

Em meio ao sentimento de dever cumprido, o zagueiro Serguei Ignashevich, 38, resolveu definitivamente colocar um ponto final em sua carreira. Desta vez, sem volta.

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08 JUL 2018Por Folhapress22h19
O zagueiro Serguei Ignashevich, 38 anos.Foto: Facebook/Serguei Ignashevich

A campanha histórica da seleção russa na Copa na qual alcançou as quartas de final comoveu o país. Depois da euforia pelas ruas durante todo o Mundial, a apoteose ocorreu neste domingo (8) após a eliminação para a Croácia no dia anterior.

Milhares de pessoas se reuniram na Fan Fest para agradecer e saudar os heróis com direito a discursos, exibição dos gols e execução do hino nacional. Nos próximos dias, serão recebidos no Kremlin pelo presidente Vladimir Putin.

Em meio ao sentimento de dever cumprido, o zagueiro Serguei Ignashevich, 38, resolveu definitivamente colocar um ponto final em sua carreira. Desta vez, sem volta.

Seja na equipe nacional ou no CSKA Moscou. Se despede com alguns recordes importantes em seu currículo.

Em toda a história, incluindo aí a equipe da União Soviética (extinta em 1991) é quem mais fez jogos pela seleção. Foram 128 e um total de 11.031 minutos. Foram oito gols anotados no período.

Dos atletas em atividade, quem chega mais perto dele é o goleiro Igor Akinfeev, 32. Soma 111 partidas.

É também o mais velho a atuar pelo time nacional. A marca foi alcançada em 30 de maio, em derrota de 1 a 0 para a Áustria. Esta partida marcou seu retorno à seleção após uma primeira aposentadoria. Após o fim da Eurocopa de 2016, na qual a Rússia foi eliminada ainda na primeira fase, o zagueiro havia anunciado sua aposentadoria da seleção.

Colocava fim a um ciclo de 14 anos, iniciado em 21 de agosto de 2002, após o término do Mundial da Coreia e do Japão. Porém uma série de lesões acabaram dizimando a zaga russa e deixando o técnico Stanislav Tchertchesov sem ter muito o que fazer, a não ser tentar convencer Ignashevich a retornar ao time.

A ideia inicial do treinador era ter como zagueiros titulares na Copa Viktor Vasin, do CSKA, e Georgi Djikia, do Spartak, mantendo o que havia feito desde que assumiu o cargo, em 2016.

Os dois, porém sofreram lesões graves no joelho, passaram por cirurgias e tiveram de ser descartados. Resolveu chamar então Ruslan Kambolov, do Rubin Kazan.

Mas o jogador também se machucou e abriu espaço para a volta de Ignashevich, sacramentada após uma conversa particular com o treinador.

"Logo que ele me chamou para conversar, aceitei. Me senti motivado, como um novato. Poder trabalhar com um técnico diferente, com outras ideias", afirmou, logo após ser chamado para a seleção.

O anúncio de sua convocação foi uma surpresa até para os russos. Na imprensa local, os questionamentos sempre foram por um possível retorno de Vasili e Aleksei Berezutski, irmãos que defendem o CSKA. Eles também colocaram fim ao ciclo na seleção, mas vira e mexe tinham os nomes citados nas entrevistas coletivas de Tchertchesov, causando irritação no treinador.

A volta de Ignashevich aconteceu somente quatro dias antes do início dos treinos para a Copa. E durante as atividades mostrou que estava em condições perfeitas não apenas de ser incluído na lista de 23 jogadores para o Mundial, como também de ser titular.

Seu retorno aos gramados com a camisa da Rússia foi em amistoso contra a Aústria, em 30 de maio. Apesar da derrota por 1 a 0, quebrou um recorde. O de mais velho a atuar pela seleção, incluindo aí a seleção da União Soviética, extinta em 1991.
Outro recorde que detém pela equipe nacional é o de mais partidas disputadas. São 127 jogos e um total de 10.911 minutos. São oito gols anotados.

Dentre os 184 jogadores que ainda disputam a Copa, ele é também o mais velho.

Mas sua forma física tem impressionado. Ele esteve no gramado nos 390 minutos jogados pela Rússia. E contra a Espanha, mesmo após 120 minutos extenuantes e uma prorrogação intensa, teve frieza para converter um dos pênaltis no triunfo por 4 a 3 que valeu a classificação.

"Temos de dizer obrigado ao Serguei por estar jogando um torneio de tão alto nível aos 38 anos. E também enaltecer como ele se comporta e se cuida", afirmou o meio-campista Alan Dzagoev, seu companheiro também no CSKA.

E não é apenas pela seleção russa que Ignashevich coleciona marcas impressionantes. É também o jogador com mais partidas disputadas na história do Campeonato Russo: 489, sendo 381 pelo CSKA, equipe que defende desde 2004. 

Antes passou por Lokomotiv Moscou, Krilia Sovetov e Spartak Orekhovo, este último quando estava na segunda divisão.

Em seu currículo tem diversas conquistas, sendo as mais importantes o hexacampeonato russo e a Copa da Uefa na temporada 2004/05. 

Pela Rússia, seu melhor resultado foi a quarta colocação na Eurocopa de 2008.

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