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Mães e pais de alunos protestam no Paço, em Cubatão

Manifestação foi motivada pelos dias de paralisação nas unidades de ensino; grupo reivindica da prefeitura uma solução

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21 ABR 2017Por Daniela Origuela08h00
Pais de alunos da rede municipal de ensino de Cubatão protestaram ontem no Paço MunicipalFoto: Rodrigo Montaldi/DL

Pais de alunos da rede municipal de ensino de Cubatão protestaram ontem no Paço Municipal. Após insistência e um princípio de tumulto, um grupo composto por 10 mães – e seus filhos - se reuniu com o prefeito Ademário Oliveira (PSDB) e membros da Administração. O protesto foi motivado pela paralisação nas aulas provocada pela greve dos servidores que completou 24 dias.

“Minha filha é especial e já está sofrendo as consequências. Tinha tido avanços, estava tão bem e agora houve um retrocesso. Ela não tem aula na escola e a Casa da Esperança fechou”, afirmou Marcia Lima, moradora da Vila Nova. Ela estava muito nervosa e chorou ao relatar a situação da filha, que tem nove anos de idade.

A manifestação reuniu pais de alunos, servidores e funcionários da Companhia Cubatense de Urbanização e Saneamento (Cursan) na Praça dos Emancipadores, onde estão localizados os prédios da Prefeitura e da Câmara Municipal. Houve brincadeiras e a distribuição de doces, bolo, refrigerante e algodão doce.

“O meu filho já está há três semanas sem ir para a creche. Sou a favor da greve porque eles precisam reivindicar os direitos. O atendimento dos professores é muito bom. Mas já tem mãe que perdeu o emprego por não ter onde deixar o filho. O prefeito tem que dar uma solução para isso”, disse Ana Lucia Guedes Moura, moradora da Ilha Caraguatá.

Movimento

A mobilização foi feita por meio das redes sociais. Segundo Elenize Pereira de Souza, uma das líderes do movimento de pais de alunos, o grupo conta com participação de mais de 350 pais e mães. “As crianças já estão há mais de 20 dias sem aprender. Há aproximadamente um mês, não teve ônibus por duas semanas para levá-las na escola devido a greve do transporte de Cubatão. Depois veio a greve dos professores. Agora tem a greve dos funcionários da Cursan que fazem a merenda e a limpeza das escolas”, afirmou. A auxiliar de serviços gerais tem dois filhos na rede municipal de ensino.

Elenize destacou que o movimento apoia o direito dos trabalhadores da educação em fazer greve. “Queremos deixar claro que negociem com o trabalhador, porque nós mães não vamos mais aceitar que as nossas crianças fiquem sem aula tendo que repor depois. Pagamos nossos impostos e nós o elegemos para que ele resolva essa situação”.

Assegurados por um membro do Governo de que seriam recebidos, os pais e mães foram orientados pela segurança a entrar no Paço Municipal pela porta dos fundos, que estava fechada. Houve tumulto e a Polícia Militar (PM) foi acionada para acompanhar o movimento. Outro representante da Administração informou ao grupo que apenas 10 mães seriam recebidas. A entrada da imprensa no Paço também foi permitida, no entanto a Administração não deixou que os profissionais acompanhassem a reunião.

No site da prefeitura, a assessoria publicou informações do encontro. Disse que o prefeito Ademário explicou às mães que reposição das aulas é legal, mas ainda não foi definida de que forma será feita. Ressaltou que o chefe do executivo elencou algumas alternativas, entre elas a reposição nas férias ou aos sábados para as séries iniciais, ou a ampliação do horário letivo durante a semana. “Isso só poderá ser definido após o retorno dos professores às salas de aula e terão que ser analisadas situações peculiares de cada escola, já que a paralisação não ocorreu da mesma forma em todas as unidades”, explica o texto.

Sindicatos se reúnem com Ademário

Antes de anteder a comissão de pais, o prefeito se reuniu com membros do Sindicato dos Servidores Públicos de Cubatão (Sispuc) e do Sindicato dos Professores Municipais de Cubatão (Sispuc). Os dirigentes sindicais foram tratar do dissídio, com data-base em maio, da categoria. Na próxima quarta-feira (26) haverá um novo encontro para tratar do assunto. A greve do funcionalismo continua, mas, agora, atendendo a uma liminar da justiça, com apenas 20% dos trabalhadores.

“Discutimos algumas pautas reivindicatórias do sindicato. São 14 itens. É a primeira conversa com a Administração. Discutimos alguns pontos primordiais e que precisam de um debate maior. Pedimos 20% de aumento, que é relativo à inflação do ano passado e à inflação deste ano. Estão fazendo um estudo para apresentar alguns números. Vamos trabalhar conseguir transformar essa expectativa em algo real para o servidor”, explicou Jorge Daniel Santos, presidente do Sispuc.

Sobre a reforma administrativa recentemente aprovada na Câmara e sancionada pelo prefeito e que motivou a greve dos servidores, o presidente do Sispuc disse que Ademário estuda rever alguns pontos. “Ele entendeu que há um erro em retirar benefícios sem antes consultar a categoria. É uma coisa que aconteceu de forma muito arbitrária. Não só feriu o orgulho do servidor, mas de toda a população cubatense. Hoje tem uma manifestação generalizada em Cubatão por conta disso. Está todo mundo sensibilizado. A gestão deve voltar atrás em alguma coisa”.

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