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Cotidiano

22 de setembro de 2013 às 10h00

Resgate histórico: No caminho do mar

Um pedaço da história do País está sendo discutido entre o Estado e a Prefeitura de Cubatão. A ideia é reabrir a Estrada Velha de Santos

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Atualizado em 22 de setembro de 2013 às 10h40

Parte da história da Baixada Santista, ou melhor, do País está de portas fechadas para a população. O caminho do Mar (ou Estrada Velha de Santos), que dá acesso ao Planalto e é tão bem lembrado na canção de Roberto Carlos, precisou ser interditado para visitações em 2010, por conta do risco de desmoronamentos.

No mês passado, o Estado anunciou a privatização do local e o decreto nº 59.425, criando um grupo especial de trabalho para refletir sobre as opções e oportunidades possíveis para a recuperação e aproveitamento do local.

Desde então, o Governo estadual e as prefeituras de Cubatão e São Bernardo, juntamente com a Agem, se reúnem para buscar a melhor destinação ao local. Para isso, foram criados dois subgrupos, um mais técnico-jurídico, com a finalidade de se discutir a área a ser definida e seus entendimentos legais para a efetiva transferência da mesma ao Instituto Florestal; e outro mais administrativo, para tratar do plano de manejo do Caminho do Mar, com metas de curto, médio e longo prazos, com destaque para o marketing e a comunicação.

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Na última quarta-feira, dia 18, o grupo administrativo se reuniu para acelerar as ações. De Cubatão, participou da reunião a secretária de Meio Ambiente, Ana Maria Rodrigues. Esta comissão trabalha com propostas de gestão do Caminho do Mar e é formada por representantes da Prefeitura de Cubatão, Prefeitura de São Bernardo do Campo, técnicos da Agência Metropolitana (Agem), Secretarias Estadual do Turismo e da Cultura, e Emplasa.

De acordo com a secretária, o encontro serviu para traçar os primeiros planos em relação à retomada das visitas do Caminho do Mar. “A ideia é realizar uma série de estudos no local como um plano de manejo para identificação de todo ecossistema e um estudo de impacto que apontaria o número ideal de pessoas que poderiam visitar o local diariamente sem causar danos ao patrimônio e à natureza”.

Verificou-se, ainda, de acordo com a secretária, por meio de visitas realizadas pelos integrantes da comissão, que a estrada do Caminho do Mar está conservada – a manutenção e reparos são feitos pelo Departamento de Estradas de Rodagem, o DER. No entanto, alguns monumentos da Serra necessitam de restaurações.

Segundo a Prefeitura de Cubatão, a Administração se posicionou nesta reunião, mais uma vez, no sentido de solicitar a inclusão de um portal de acesso ao Caminho do Mar na cidade, já que a entrada situada ao lado da Refinaria Presidente Fernandes está fechada há anos. A ideia é que o ingresso ao Caminho seja feito também por Cubatão, inclusive com monitoria.

A ideia é reabrir a Estrada Velha de Santos (Foto: Luiz Torres/DL)

“Para nós, reabrir o Caminho do Mar é retomar a história da Cidade. Vamos acompanhar todos os trâmites deste processo para garantir que a Cidade não fique de fora”, garantiu o secretário de Cultura e historiador, Welington Borges.

Os subgrupos formados trabalham em duas frentes: a primeira é encontrar uma solução imediata para se fazer as reformas necessárias à reabertura; e segunda, pensar-se numa destinação adequada, por meio de parceria pública privada (PPP) ou concessão, ao seu potencial turístico, educativo e histórico. “É preciso ter em mente que pelo Caminho do Mar passou a história do Brasil”, comentou o secretário de Desenvolvimento Metropolitano, Edmur Mesquita.

O conjunto em torno da rodovia pertence atualmente ao EMAE, uma empresa de capital aberto que, por sua vez, já concordou em repassar o Caminho do Mar, por um prazo de trinta anos, ao Governo do Estado.

Preocupação

Em entrevista a reportagem do Diário do Litoral, o vereador Fábio Alves, o Roxinho (PMDB), se mostrou preocupado com a situação. Uma Comissão Especial de Vereadores (CEV) foi criada para acompanhar as tratativas do Estado em relação à Estrada Velha.

Para o vereador, as riquezas naturais de Cubatão têm de ser preservadas. “Me assustei com a notícia de que o governo quer ‘privatizar’ a Estrada. Quase 70% da Estrada Velha de Santos ficam no território de Cubatão, onde estão nossos monumentos tombados pelo patrimônio histórico. Nossa população sequer será ouvida neste processo?”, questionou.

Segundo Roxinho, o Poder Público deve preservar as riquezas naturais e históricas do município. "A possível privatização ou concessão seria uma agressão à história do nosso País e à história da nossa Cidade", afirmou.

Parte da história

Em comemoração ao Centenário da Independência do Brasil, Washington Luis, então Presidente do Estado, entregava ao público os ranchos do “Caminho do Mar”.

Esses monumentos revelam parte significativa da formação paulista. Da perfeição técnica da velha Calçada do Lorena, até a evocação dos fundadores de São Paulo inscrita no Cruzeiro Quinhentista, vê-se a marca da recuperação da história bandeirante nas escarpas da Serra.

O desenvolvimento de Cubatão sempre esteve estreitamente ligado aos caminhos de acesso ao Planalto, já que era elo de ligação entre este e o Porto.

Foi assim que tivemos as trilhas dos tupiniquins, a Calçada do Lorena, a Estrada da Maioridade, mais tarde Caminho do Mar a Via Anchieta e a Rodovia dos Imigrantes.

É justamente no Caminho do Mar que esses monumentos foram construídos.

O caminho do Mar (ou Estrada Velha de Santos) precisou ser interditado para visitações em 2010, por conta do risco de desmoronamentos (Foto: Luiz Torres/DL)

Calçada do Lorena

Foi a via de ligação mais importante entre o Planalto de Piratininga e o porto de Santos no final do séc. XVIII. Construída em 1792 no Governo de Bernardo José Maria de Lorena. O material empregado no calçamento foi a pedra.

Pouso de Paranapiacaba

“Lugar onde se vê o mar ou miramar”. É exatamente neste ponto da Serra que se avista o Atlântico pela primeira vez.

Rancho da Maioridade

Evoca a construção da Estrada da Maioridade e a visita da família real a São Paulo em 1846. Está situado em uma acentuada curva do Caminho do Mar, donde se avista toda a área do Cubatão.

Padrão do Lorena

Construído no local onde existe o segundo cruzamento da Calçada do Lorena com o Caminho do Mar. O revestimento externo de azulejos desenhados por José Wasth Rodrigues tem motivos alusivos à história das vias de ligação do planalto com o litoral.

Pontilhão da Serra

O Pontilhão marca a presença do Caminho do Mar nos campos de Cubatão. Comemorando este fato, encontra-se aposta em suas paredes uma placa referenciando a primeira estrada brasileira pavimentada em concreto.

Cruzeiro Quinhentista

Construído no ponto de encontro do Caminho do Mar com o Caminho do “Padre José” (hoje inexistente nesse trecho), o Cruzeiro apresenta no seu corpo central as datas de 1500 e 1922 e os nomes dos colonizadores e jesuítas: Tibiriçá, Anchieta, Mem de Sá, Nóbrega, Leonardo Nunes, Martim Afonso e João Ramalho.

Ruínas e Belvedere Circular

Além desses, foram feitos o monumento do Pico - situa-se no ponto mais alto da Calçada do Lorena e o Pouso Circular ou Belvedere Circular, sua localização proporciona uma visão abrangente da estrada em suas múltiplas curvas. Uma casa em ruínas também é encontrada. Não se sabe muito bem qual foi sua função. Especula-se que podia ser a casa dos engenheiros que construíram a estrada.

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