Diário do Litoral
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Cultura

03 de junho de 2013 às 16h29

Voluntários fazem TAM TAM funcionar

Atualmente, 10 voluntários se desdobram para manter o projeto que revolucionou a maneira de atender pessoas especiais

por Carlos Ratton

Eles são fundamentais na vida de 180 alunos especiais e tidos como normais. Das mais diversas idades e formação profissional, os voluntários que atuam na Associação Projeto TAMTAM abrem mão do convívio social e até familiar para se doar, para romper barreiras, para colocar no colo, para garantir a inclusão. São “invisíveis”, verdadeiros anjos TAMTAM.

A pedagoga Regina Alonso faz um trabalho fundamental. Ela é a responsável pelo Projeto Outras Palavras, realizado todas às segundas-feiras, das 16 às 18 horas, que fomenta a leitura. Não só os alunos participam, mas todas as pessoas que gostam de ler e compartilhar esse prazer com o semelhante, pois a atividade é aberta e gratuita.

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“Nossas tardes proporcionam um crescimento grande na comunicação das pessoas, inclusive na escrita. Tem gente que não conseguia ler em voz alta e, hoje, temos que pedir para dar oportunidade aos demais falarem”, brinca.

Regina explica que os participantes, além de perder a inibição, aprendem a respeitar o espaço e a opinião dos outros, sem nunca perder sua identidade, dinâmica difícil até para as pessoas ditas normais.

“Nós trabalhamos muitas linguagens, como a dramaturgia, com palavras, ilustrações, dança e textos que já viraram livros artesanais, por intermédio das oficinas literárias, abertas também para autores da cidade e da região, em suas mais diversas expressões”, explica Regina Alonso, apontando outros projetos, como A Roda Encantada, que trabalha o universo infantil, que poderiam ser ampliados se houvesse mais apoio.

Hoje, 10 voluntários trabalham para manter o projeto (Foto: Matheus Tagé/DL)

TAMTAM em imagens

A psicóloga e fotógrafa Nise Coelho registra, em imagens, tudo que “rola” no TAMTAM. O trabalho dela colabora com o projeto em vários sentidos, entre eles a própria autoestima dos alunos. “São artistas e querem mostrar o trabalho. Aqui eles saem da vida real para se tornarem personagens e isso é muito rico em termos fotográficos. Aos poucos, o trabalho foi crescendo e hoje registramos todos os processos criativos realizados no TAMTAM”, conta.

Com curso na Special Kids Photography Brasil – um referencial na área de fotografia no processo de inclusão de crianças especiais – Nise disse que o TAMTAM lhe proporcionou muita experiência profissional e humana. “Eu também realizo uma oficina pioneira de inclusão em parceria com o Clube Foto Amigos de Santos, com objetivo de socializar e usar a fotografia como forma de manifestação”, conclui.

Um facilitador

Genesis Robson é sonoplasta, especialista em programas de informática e em outras atividades, mas, no projeto, uma de suas principais funções é a de facilitador, uma espécie de elo entre as mães e os alunos. Ele se considerava uma pessoa socialmente difícil, mas o TAMTAM mudou sua vida. “Passei a conviver e lidar melhor com as pessoas. Entender os problemas dos outros e procurar ajudar, independente do grau de dificuldade. Eu cresci pessoal e profissionalmente, converso e me relaciono com qualquer pessoa. Em nenhum lugar vou aprender tanto como aqui”.

Super Gilvan

Sabe aquela pessoa que não tem medo de desafios e que resolve tudo? Pois essa pessoa é Gilvan Xavier, outro voluntário do TAMTAM, responsável por tudo que possa ser considerado impossível. Xavier trabalha da criação de cenários a uma de emergência, como um reparo hidráulico no camarim. “Não sossego enquanto não resolvo. Cada cenário é um desafio. Eu compro as ideias do grupo e realizo. Nada é impossível”, garante.

O Chef

Formado em Gastronomia, Felipe Domingues se diz hiperativo e dislexo – pessoa com dificuldade na área da leitura, escrita e soletração. Chegou como aluno aos 16 anos e logo percebeu a necessidade de ir além, de doar seu tempo em prol dos demais alunos. O resultado foi surpreendente e seus problemas são imperceptíveis.

Nas noites do Rolidei, Domingues é responsável pelos petiscos e todo o cardápio oferecido aos participantes. “Eu também ajudo na logística e toda a organização dos eventos culturais. Na verdade, temos um sonho: construir uma cozinha experimental, inclusive para oferecer cursos de gastronomia. Os alunos podem até montar um bufê diferenciado, com profissionais especiais”, vislumbra.

Teatro da inclusão

Uma professora de teatro versátil. Essa é a definição de Thays Ayres, que há anos se “entrega” ao TAMTAM. A profissional, formada também em Psicologia, se divide entre a organização do espaço e os palcos. “Acabei adquirindo uma visão profissional muito ampla. Vivo aprendendo e, o melhor, a lidar com as diferenças”, comenta Thays.

Participante também do Grupo Orgone, liderado pela arte educadora Cláudia Alonso (também uma das responsáveis pelo TAMTAM), Thays viu tudo acontecer, pois entrou no TAMTAM com 17 e hoje tem 32 anos. “Minha escola é a da multiplicidade, da diversidade, de construir junto. Isso, na realidade, não tem muito segredo, basta se entregar”.

Uma secretária especial

Mariana Salgado garante que venceu algumas síndromes. Hoje, cuida basicamente da administração, da papelada do TAMTAM. Ela confessa que não gostava de trabalhar com burocracia, mas não teve outro jeito e acabou se envolvendo pela causa. “Entre trancos e barrancos a gente resolve tudo. Eu cuido também das fichas dos alunos, de monitoramento das aulas, enfim. De espectadora do Rolidei, me tornei aluna de teatro e agora participo de tudo”, disse.

Mariana, que chegou a fazer tratamento para minimizar a língua presa, fala com perfeição, uma das conquistas das aulas de teatro, que foram melhorando sua dicção gradativamente. “Tinha palavra que eu não conseguia pronunciar. As atividades aqui me completam e me transformaram”.
 
Doutor TAMTAM

Rúbio Santana da Costa é especial. No projeto, ele tem um personagem, o Doutor TAMTAM, que brinca com o público que prestigia os eventos da Associação. Com auxilio de Cláudia Alonso, ele garante que tem receitas infalíveis para melhorar o dia a dia das pessoas, como dançar. “Acalma”, garante.

Trabalhador do ramo da limpeza, Rúbio não só cuida da manutenção da Associação, mas também de uma espécie de livro de registro de eventos, que faz questão de mostrar para todos que frequentam o local.

Faz tudo

Raphael Bedeschi e Izilda Coelho fazem de tudo para ver os projetos “caminharem”. Bedeschi, que também é artista, cuida dos adereços das peças, dos figurinos, do mural enfim. “Conhecemos pessoas de todos os tipos, de todos os jeitos. Estou aqui há três anos e adoro esse ambiente”.

Izilda acompanha o companheiro de voluntariado. Assim como Felipe, só quem em escala mais “popular”, ela também adora culinária e, na conhecida “hora da fome”, resolve a situação com seus conhecidos lanches, que também são apreciados por quem visita a Associação. “Por vezes, o cheiro da pipoca tira a concentração dos atores”, brinca.

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