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COLUNA

Falando Sério

Valter Batista de Souza

Sobre provas e convicções

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17 JUL 2017Por Valter Batista de Souza10h14

Lula condenado por Moro no processo do Triplex. Lula absolvido por Moro no processo da guarda dos presentes presidenciais. A condenação é uma decisão já antecipada pela forma como foi conduzida a investigação. Decisão judicial se discute, se critica, pode ser correta ou errada.  Lula não é Santo. Lula é político. Seu mandato foi transformador na área social. Inegável, mas há quem o odeie e ao que ele representa politicamente, estes jamais admitirão isso. Seu governo também foi terreno fértil para práticas de corrupção, inegável, nada diferente dos anteriores ou posteriores, embora seus admiradores jamais haverão de reconhecer isso.
Lula é símbolo de um país que sofre com as desigualdades e que é castigado pela classe política, isso é unanimidade, embora não seja motivo para juntar quem ama com quem odeia o ex-presidente. A decisão de Moro não muda absolutamente nada neste país de gente hipócrita e que, em grande maioria, só olha para o próprio umbigo. A sentença que foi divulgada esta semana apenas demonstra que Lula teve “direito” ou “foi condenado a ter um julgamento”. Aliás, os que o odeiam tiveram o direito de assistirem a seu julgamento, como se assiste a um seriado de TV. Os que o idolatram também. Na sentença, aos que assistem ao caso, apego à tese da falta de provas e da injusta punição pelas convicções ou as convicções como provas irrefutáveis de um crime que não pode ficar impune.  
Agora é a hora de dizer: e Aécio? E Temer? Serra? E os outros? Não sem razão, estas perguntas ficarão sem respostas, porque não há como responder. O foro é privilegiado. As convicções são provas apenas para alguns. Imagens e gravações em áudio não são nem convicção, que dirá prova!
Não, eu não estou defendendo Lula. Não estou triste com a decisão de Moro. Não estou acreditando ou torcendo que ele reverta esta decisão. Não concordo com sua candidatura a um novo mandato. Não gosto da forma como ele se defende, desqualificando quem o acusa. Mas não consigo também acreditar que a convicção valha tanto. Não acredito que o crime tenha sido tão perfeito que não tenha produzido nenhuma prova material e tenha feito o Magistrado passar pelo constrangimento de condenar um ex-presidente, “que, no PowerPoint dos promotores da Lava Jato, liderou a maior quadrilha da História do assalto aos recursos públicos deste país”, com base apenas em convicções.
Uma mala de dinheiro circulou sendo filmada, após a gravação de áudio no qual se fala da dita cuja, outras quatro viajaram de São Paulo a Minas Gerais, operações de compra de imóvel fajutas foram documentadas, mas os envolvidos estão aí, livres, leves, exercendo mandato e rindo de Lula. O foro privilegiado criou a categoria de criminosos inimputáveis temporariamente, porque é difícil que os próprios acusados votem para que possam ser processados pela Justiça. Continuarei não acreditando que isso vá mudar. No jogo político de combate à corrupção, a impunidade é o maior desafio. 

 

Contraponto

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