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COLUNA

Quadriculando

André Rittes

André Rittes é jornalista, mestre em Educação e professor universitário. Começou a escrever aos 14 anos e é ganhador de cinco prêmios em concursos de contos, três estaduais e dois nacionais.

Passado mais que bizarro

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18 ABR 2017Por André Rittes11h09

Quadrinhos de super-heróis são tão antigos quanto a necessidade das pessoas por aventuras e fantasia. O primeiro herói de papel de que se tem notícia é The Clock, um janota que usava ternos elegantes e um lenço negro sobre o rosto para combater o crime, criado por George Brenner para a editora norte-americana Quality Comics em 1936. Dois anos depois viria aquele que até hoje é sinônimo de super-herói: Superman e, em 1939, ninguém menos do que o Batman.

Com uma história que remonta aos idos da Segunda Grande Guerra, não se pode estranhar que, ao longo de tantas décadas, os super-heróis tenham sofrido mudanças e adaptações a medida em que foram se mantendo como ícones da cultura de massa do século XX. Mas, o que muita gente desconhece é que algumas histórias mais antigas eram muito estranhas, até mesmo no contexto e na época em que foram criadas.

Por exemplo, quem não se lembra do Aranhamóvel (The amazing Spider-man nº 130, março, 1974)? Uma espécie de buggy nas cores do uniforme do Homem-aranha que foi ofertado ao herói pela companhia Carona Motors e aperfeiçoado pelo Tocha Humana? Ainda hoje é um dos momentos mais constrangedores e bizarros na vida do amigão da vizinhança.

Mas ele não está sozinho quando o assunto são as bizarrices do passado. Justamente Batman e Superman parecem ter sofrido mais do que os outros.

É famosa a capa de Batman em que ele e Robin brigam porque o menino-prodígio quer fazer dupla com a Batgirl e o homem-morcego não se conforma. Melhor nem comentar, né? Mas, o Dr. Fredric Wertham iria adorar... (“psicólogo” que insinou pela primeira vez que Batman e Robin tinham um “caso”) Ou a capa de Superman com Lois Lane negra?! Bizarrice pouca é bobagem, tanto que o próprio Superman também se transforma em negro.

Ou a criatura Arco-íris que transformou Batman e Robin em bonecos de papel? Ou a aventura de Superman em que ele vira um “super velho” ao tomar uma fórmula desconhecida? E, ainda nessa mesma linha, Superman vira um “super feio” e até um “super bobo”, no estilo do Super Pateta, mas sem a mesma graça, obviamente.

Claro que muitas destas histórias fazem sentido histórico, por exemplo, na época em que havia uma cruzada moralista contra os quadrinhos e as editoras tentavam amenizar a violência usando elementos mais frugais. Mas aí Batman e Superman apareciam ensinando Robin a jogar beisebol ou brincando de gangorra num parquinho infantil, nada a ver com sua verdadeira concepção.

Ainda bem que, para a felicidade dos maiores heróis do mundo, as bizarrices parecem ter mesmo ficado no passado. Agora é esperar que a diversão nas páginas deste tipo de HQ seja apenas incidental.

Contraponto

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