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Quadriculando

André Rittes

André Rittes é jornalista, mestre em Educação e professor universitário. Começou a escrever aos 14 anos e é ganhador de cinco prêmios em concursos de contos, três estaduais e dois nacionais.

Os gibis já eram?

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10 JUL 2017Por André Rittes16h51

Mais de uma vez, falamos aqui sobre as dificuldades encontradas atualmente para que os quadrinhos mais populares cheguem às mãos dos leitores. Seja por causa do polêmico embate entre o formatinho e as edições encadernadas em capa dura, seja porque existem poucas opções nas bancas ou outro motivo qualquer. Mas, a verdade pode ser mais dura de encarar: Quem realmente ainda quer ler gibis nos dias de hoje?

Principalmente para as crianças, não há incentivos e, por outro lado, existem muitas distrações informatizadas como games, livros virtuais e sites de quase tudo. Somando-se a isso a natural propensão dos brasileiros para não gostar de ler, temos um cenário muito hostil para os gibis. Uma solução seria o incentivo da leitura nas escolas, o que muitas já fazem. 

Mas, na última pesquisa que realizei, por ocasião do meu mestrado, identifiquei um uso didático muito maior dos quadrinhos hoje do que há, por exemplo, dez anos. O problema é que apenas um tipo de quadrinho era usado pelas professoras de educação infantil, justamente aqueles que fizeram parte de suas infâncias: a Turma da Mônica, de Mauricio de Sousa.

Super-heróis, quadrinhos japoneses, europeus ou personagens como Calvin e Haroldo, Mafalda, Luluzinha e outros eram simplesmente ignorados! Assim como ninguém desenvolve o paladar comendo apenas macarrão, também não se formam verdadeiros leitores de quadrinhos somente com Mauricio de Sousa.

Entendam bem, não tenho nada contra o trabalho de Mauricio, muito pelo contrário. Continuo sendo leitor dele, mesmo que nas sofisticadas graphics da MSP (Mauricio de Sousa Produções). Mas, não posso me considerar um leitor “modelo”, nem de HQs e muito menos de livros, que ainda continuo preferindo à quase tudo. O problema é como formar leitores de quadrinhos que queiram realmente ler HQs oferecendo apenas um tipo de gibi?

Pior, com a identificação da Turma da Mônica com a infância, muitos leitores acabam parando de ler justamente quando começam a adolescência, mesmo que existam a Turma da Mônica Jovem e as graphics como opções, que na verdade são adaptações mercadológicas para que os leitores continuem lendo somente a mesma coisa.

Claro que se pode dizer que fãs de quadrinhos de super-heróis também ficam restritos à um tipo de leitura, mas mesmo nesse universo saturado e pouco criativo há mais diversidade. O problema é que a leitura de HQs não enfrenta dificuldades apenas por falta de opção, esta é somente uma das facetas da questão. A pergunta continua sendo a mesma: quem ainda quer ler gibis? Tentaremos responder na próxima semana.    

Contraponto

Guarujá 2