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COLUNA

Quadriculando

André Rittes

André Rittes é jornalista, mestre em Educação e professor universitário. Começou a escrever aos 14 anos e é ganhador de cinco prêmios em concursos de contos, três estaduais e dois nacionais.

O arlequim na caixa

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16 MAR 2017Por André Rittes17h58

Quando eu era criança, uma das coisas de que eu mais gostava era ver desenhos animados e, sem dúvida, os meus preferidos eram aqueles que começavam com um arlequim de mola saindo de uma caixa marcada com uma grande letra H. Eu não sabia, mas essa era a marca registrada do Famous Studios, um braço da Harvey Comics.

A Harvey era uma pequena editora familiar, fundada no início dos anos 40 e que apostava em histórias em quadrinhos ingênuas e personagens com apelo infantil. É dela, por exemplo, o desastrado bebê ganso Huguinho (Baby Huey), além do diabinho Brasinha, Tininha, Brotoeja, Bolota, Riquinho, o gigante Miudinho e um dos mais famosos, o fantasma camarada Gasparzinho.

 Os quadrinhos da Harvey estavam ligados aos desenhos e vice e versa, assim, quanto mais um personagem fazia sucesso na tevê, mais histórias eram publicadas. Mas, apesar da ampla aceitação dos desenhos animados, os quadrinhos da Harvey sobreviveram muitos anos além destes, quase até os anos 90 e, de vez em quando, ainda saem em coletâneas por aí.

O motivo parece simples: personagens carismáticos e com uma característica bem definida em histórias simples. Riquinho é tremendamente rico e isso proporciona muitas piadas boas. Bolota é a menina gulosa e com problemas de peso. Brotoeja, a que não pode ver uma bolinha, ou círculo, ou ponto ou qualquer coisa redonda... Miudinho, o gigante bondoso que se mete involuntariamente em encrenca. Sem falar no fantasma que não quer assustar ninguém, Gasparzinho, mas que mesmo assim vive apavorando todo mundo!

Justamente, o tipo de histórias e personagens que praticamente não existem mais hoje em dia. Infantis, sem serem infantiloides. Diversificados, sem parecerem politicamente incorretos e criativos sem apelação. Os desenhos animados deixaram muita gente com saudades e os pequenos gibis da Harvey, também. E olha que o mercado de HQs infantis no Brasil hoje é bem limitado, praticamente dividido entre Disney e Mauricio de Sousa.

Lá se vão muitos anos desde a última vez em que vi o pequeno arlequim de mola saltar da caixa, mas a animação e a expectativa guardadas na memória ainda são as mesmas... Se você não conhece as historinhas da Harvey, corra para o sebo mais próximo e procure pelas revistinhas. Você vai gostar.

Contraponto

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