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A verdade da Bola

José Calil

José Calil é jornalista e administrador esportivo. Trabalhou em alguns dos principais veículos de comunicação do país. Foi gerente de futebol do Grêmio Barueri e Secretário de Esportes da cidade. Atualmente é âncora e comentarista na Rádio Transamérica.

Neymar... e agora?

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05 MAR 2018Por José Calil17h52

Nenhuma força militar seria capaz de jogar uma bomba que atingisse simultaneamente a cidade de Paris e todo o Brasil. O futebol foi. A contusão de Neymar criou uma lacuna quase impossível de ser preenchida. E uma incerteza de enormes proporções.

Para o PSG a situação é irremediável: Neymar está fora do jogo de amanhã contra o Real Madrid, o mais importante nos últimos anos. E, ainda que o time francês se classifique para a sequência da Liga dos Campeões, é pouquíssimo provável o aproveitamento dele até o final da temporada européia. Como, então, a prioridade total passou a ser tentar garantir a presença de Neymar na Copa do Mundo, os médicos da Seleção assumiram o controle do caso e ele foi operado no Brasil.

Por essa Tite não esperava. Ele tem um time estruturado que. embora dependa menos de Neymar do que os antecessores, não pode se dar ao luxo de abrir mão do seu principal jogador. E o tempo para testar alternativas é muito curto: apenas dois amistosos agora no final de março, os últimos antes da convocação definitiva para o Mundial.

A priori a opção será efetivar Willian, que vive excelente fase no Chelsea, pelo lado do campo passando Philippe Coutinho, que ainda não engrenou no Barcelona, para a posição de Neymar. Mas há um problema nessa formação: Coutinho não tem a mesma profundidade de jogo de Neymar e, por isso, terá dificuldades para se encaixar na movimentação de Gabriel Jesus, que está voltando a jogar após longa ausência por ter sofrido uma fratura. E, com Coutinho jogando por dentro, será fundamental a presença de Renato Augusto, prejudicando a tendência que Tite vinha mostrando de promover Fernandinho a titular como segundo volante.

Isso é futebol, o jogo dos imprevistos. Quando tudo parece acomodado vem o imponderável e revira as estruturas. Neymar ainda não está fora da Copa, é verdade. É até mais provável que vá à Rússia. Mas, em que condições ?  Que falta lhe fará uma preparação específica ?  Como irão se comportar as novas escolhas de Tite ?

Essas e outras perguntas não podem ser respondidas no momento. A única coisa a fazer é esperar. Mas como fica difícil a vida quando só nos resta esperar, não é verdade?

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