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COLUNA

Falando Sério

Valter Batista de Souza

Medidas urgentes

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06 AGO 2017Por Valter Batista de Souza21h26

O que a sociedade espera de nossos políticos talvez seja muito difícil de ser compreendido, porque atualmente a desfaçatez tem sido a tônica da atuação em nossos parlamentos. Não é muito fácil compreender porque a insistência em contrariar o bom senso e agir como os vereadores de São Vicente, que inicialmente tentaram contratar mais assessores, em meio a uma crise orçamentária que compromete os serviços básicos na cidade, e depois, decidem alterar o horário das sessões legislativas para o período da tarde, impedindo as pessoas trabalhadoras de participarem deste processo.
A tensão que a sociedade está vivenciando, é importante para mobilizar movimentos de contrariedade ao sistema político atual. Existem instrumentos bastante consolidados para um exercício democrático verdadeiro. A tecnologia da informação e do conhecimento e a legislação brasileira são pródigas em fornecer os exemplos para que nossos políticos se coloquem em seu lugar, de representantes da vontade popular. Por que não há mais plebiscitos e referendos? Por que não estão disponíveis antecipadamente as pautas e os projetos que serão objeto de debate nas sessões legislativas? As autoridades constituídas pelo voto das pessoas que eles mesmos impedem de tomar parte das decisões, agem como quem parece querer longe de seu cotidiano, quem lhes concedeu o direito de representá-las. As pessoas, que são a base da democracia, servem apenas para pagar pelos erros dos políticos, com mais impostos e menos serviços.
Mas nem tudo está perdido. Em meio a tanta desilusão e distanciamento, há pessoas envolvidas em uma nobre luta! O movimento que está sendo abraçado por jovens lideranças políticas e comunitárias lá em São Vicente, está nas ruas coletando assinaturas para um projeto de lei, com “Dez Medidas para uma Boa Gestão”, demonstrando a insatisfação com a forma política escolhida pelos parlamentares da nossa “Célula Mater”. Eles caminham pelas praças da cidade, por feiras livres, batem de porta em porta, arregimentam apoio pelas redes sociais, agrupam insatisfeitos com a situação e fortalecem um movimento autoral de contraposição ao descaso e à insensatez dos vereadores da cidade. Querem boa gestão e maior participação das pessoas. Pedem aquilo que deveria ser obviedade: serem ouvidos, terem acesso à informação sem a necessidade de judicialização, querem que a Casa de Leis seja a Casa do Povo, querem que os eleitos sejam representantes de interesses coletivos e não apenas corretores de interesses de grupos ou de suas próprias vontades.
Vendo amigos como o Kayo Amado, ex-candidato a prefeito e o Maykon Rodrigues, vice na sua chapa, posso afirmar que a política tem salvação. Poderiam eles estar caminhando para visitar as pessoas que lhes deram mais de quarenta e oito mil votos, mas preferiram caminhar para mobilizar a população na luta por uma política mais ética. É um exemplo a ser seguido. Precisamos nos inspirar nestes exemplos, não cabe mais a uma Câmara Municipal, tratar as pessoas como desimportantes. Sem a gente, eles não se elegem. E conosco mobilizados, eles acabarão tendo que aceitar que não dá mais para fazerem o que querem. 

 

Contraponto