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A verdade da Bola

José Calil

José Calil é jornalista e administrador esportivo. Trabalhou em alguns dos principais veículos de comunicação do país. Foi gerente de futebol do Grêmio Barueri e Secretário de Esportes da cidade. Atualmente é âncora e comentarista na Rádio Transamérica.

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06 NOV 2017Por José Calil17h22

Sei que tenho muitos defeitos. Mas um dom Deus me deu: enxergar coisas importantes antes da grande maioria das pessoas. Foi assim com esse maldito árbitro de vídeo. Cansei de dizer que isso é uma desgraça para o futebol. E os fatos vão comprovando: problemas sérios no último Mundial de Clubes, na Copa das Confederações, nos campeonatos alemão e italiano. E agora também na semifinal da Libertadores.

Lamentavelmente o feito histórico do Lanús, numa virada sem precedentes, acabou manchado. Quando o River Plate ganhava por 2 a 0, após ter vencido já no primeiro jogo por 1 a 0, houve um pênalti escandaloso, com o zagueiro do Lanús dando um tapa na bola dentro de sua grande área. O juiz não viu. Como os jogadores do River, acomodados pela larga vantagem que tinham, pouco reclamaram, o jogo seguiu. O árbitro de vídeo se calou e o erro foi consumado.

No segundo tempo, quando o Lanús já havia virado e vencia por 3 a 2, precisando de apenas um gol para ir à grande final contra o Grêmio, ocorreu um outro lance de penalidade máxima. De novo o juiz não viu. A diferença é que, agitados pela pressão de buscar a classificação, os jogadores do Lanús cercaram o árbitro e não deixaram o jogo ser reiniciado, dando tempo para que o árbitro de vídeo se manifestasse. Durante a paralisação pelo tumulto o chamado VAR entrou em ação e ordenou que o pênalti fosse marcado. Pênalti que, convertido, acabou dando a vaga na decisão ao time da Grande Buenos Aires.

Ou a justiça é para todos ou não é justiça. E mais: quem reclamou e tumultuou acabou beneficiado, enquanto quem deixou o jogo seguir, sem que houvesse tempo para o vídeo ser acionado, deu-se mal. A verdade é que futebol não é vôlei, nem tênis, muito menos atletismo. A única tecnologia que se admite é aquela do Gol-NãoGol, que faz o relógio do árbitro vibrar quando a bola ultrapassa a linha de gol. É um fato objetivo, entrou ou não entrou e fim de papo. Não admite pressões nem interpretações e vale para todas as situações semelhantes na partida. E fim de papo.

Como está colocado o árbitro de vídeo é uma doença que vai matar o futebol aos poucos. Dará a oportunidade para que resultados sejam manipulados, com alguns lances sendo submetidos às imagens e outros não, de acordo com critérios obscuros e pouco transparentes.

Quem ama o esporte mais importante do mundo tem o dever de refletir sobre o tema e de lutar contra esse absurdo.

 

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