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Valter Batista de Souza

Escola com partidas

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16 DEZ 2017Por Valter Batista de Souza19h14

O projeto Escola Sem Partido é recordista em inconstitucionalidades. Fere o direito de cátedra dos professsores, que precisam respeitar projetos pedagógicos e matrizes curriculares nacionais. É uma iniciativa “viciada” porque impõe legislação que confronta a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e a própria Constituição, a qual privilegia o ensino livre e pautado no respeito à diversidade.
Trata-se de uma iniciativa conservadora de movimentos que defendem ideologias que vão de encontro à pauta principal da educação, a inclusão, o amplo debate de ideias e a formação cidadã de nossos alunos. Quando citam no projeto que sua intenção é impedir a doutrinação política e religiosa e assegurar que a educação familiar seja preservada, escamoteiam a principal causa que defendem: a tradicional família cristã, com seus ideais e dogmas religiosos, em detrimento de uma formação laica e alicerçada nos valores burgueses da modernidade.
Do ponto de vista conceitual é uma aberração propor que se coloquem mordaças nos professores, que tanto podem contribuir na escolarização de nossas crianças e adolescentes, propondo um debate plural e que assegure que a visão de mundo das pessoas não seja determinado apenas pelas suas convicções religiosas e familiares. É necessário, antes de mais nada, e para a compreensão adequada deste comentário, que se desfaça uma enorme confusão que existe entre o que vem a ser educação escolar e  educação familiar, distintas e por vezes antagônicas. O que dizer dos valores que famílias de pessoas sem caráter, desonestas, criminosas, passam para os seus? Cabe à escola servir de esteio para uma formação cidadã que nos permita a convivência harmoniosa, equilibrada, justa e diversa. 
Por fim, há uma intencionalidade clara nesta iniciativa, interferir na laicidade educativa e permitir que predomine a visão de família e os valores de uma parcela da sociedade, em detrimento de um importante avanço rumo a uma educação verdadeiramente libertadora e cidadã, que é a essência de um país que se pretende moderno e alinhado com o desenvolvimento, tão necessário para rompermos as amarras que nos seguram nos séculos passados, tempo em que a escola nem existia por aqui, que quando começou era para poucos, e quando se tornou universal, passou a ser o lugar em que se promovem mais partidas do que chegadas, basta ver as taxas de evasão escolar e de analfabetismo em nossa cidade.

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