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COLUNA

Quadriculando

André Rittes

André Rittes é jornalista, mestre em Educação e professor universitário. Começou a escrever aos 14 anos e é ganhador de cinco prêmios em concursos de contos, três estaduais e dois nacionais.

Desenhos, sempre os desenhos...

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14 FEV 2017Por André Rittes17h25

Já afirmei aqui nesta coluna que, mesmo sem perceber, os fãs de quadrinhos costumam se prender mais aos desenhos do que aos roteiros; o que seria mais natural, mesmo que muitas obras festejadas sejam reconhecidas justamente pelas histórias (Watchmen, O Cavaleiro das Trevas, Sandman, o Demolidor de Frank Miller etc.), muito mais do que pela arte.

Mas, a verdade é que, se as técnicas vêm se aprimorando nos últimos anos com o auxílio cada vez maior de tecnologias informáticas, também fica patente que muitos artistas de hoje não sabem mais conceitos anatômicos ou de volume, sem falar no uso correto da luz e sombra, por exemplo. Desenhistas como Alex Ross, que trabalha a partir de modelos vivos ou o brasileiro Mike Deodato, que domina os princípios anatômicos como ninguém, são cada vez mais raros na indústria.

Ou se chega a um minimalismo desconstrutivo como de um Mike Mignola, por exemplo, onde os conceitos clássicos não são válidos ou simplesmente não importam; ou o que se tem são desenhos cada vez mais “burocráticos” e sem técnica suficiente. Para a indústria em si, não há problemas, uma vez que os computadores dão jeito em quase tudo, mas para os fãs fica uma saudade de se abrir uma revista em quadrinhos e ficar deslumbrado com os traços...

Onde encontrar, por exemplo, a impecável técnica de um Harold Foster (Príncipe Valente), com suas pranchas enormes de nanquim e aguados sem balões? Onde se assustar com as hachuras impressionantes de um Bernie Wrightson, com seus zumbis, criaturas do pântano e um dos monstros de Frankenstein mais delirantes de todos os tempos?!

Claro que muitos vão dizer que o ritmo industrial empregado atualmente na elaboração de HQs impede que seja feito um trabalho eminentemente artístico. Basta lembrar dos problemas de estouro de prazo de Bryan Hitch (Os Supremos), por exemplo, aparentemente incompatíveis com a maneira de se vender e consumir quadrinhos hoje e até do já citado Alex Ross.  

Assim, espaço para artistas de primeira grandeza parece mesmo ser apenas o das capas. É o que acabam fazendo nomes como Neal Adams, Mike Kaluta, Richard Corben, Brian Bolland, Barry Windsor-Smith, entre outros. Se isso não bastasse, aos fãs da verdadeira arte, ainda cabe lamentar a perda de gente como Frank Frazetta, Nestor Redondo, John Buscema e o recém-falecido Steve Dillon, só para citar alguns que já estão desenhando do outro lado da vida... Taí uma polêmica para ser mais discutida. 

Contraponto

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