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Falando Sério

Valter Batista de Souza

Desemprego: o que uma prefeitura pode e deve fazer?

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11 SET 2017Por Valter Batista de Souza06h00

A Baixada Santista vem sendo muito afetada pela atual crise conjuntural, que nasce de um cenário político de enorme instabilidade e deságua em uma economia refém de uma recessão acentuada, escolha dos comandantes de nossa Fazenda, para segurar o consumo e refrear a inflação, medida que mostrou extrema demais. O arrocho esperado nas contas públicas não veio, o déficit fiscal projetado aumentou, as reformas propostas não têm efeitos rápidos, algumas delas nem do papel parece que sairão, e a recuperação econômica do país, fundamental para a retomada do emprego, ainda vai se estender por alguns meses.
Em meio a este cenário desolador, apimentado pelas ações policiais, judiciais e políticas, temos os dados sobre o desemprego na região, atualizados pelo Ministério do Trabalho, número que só aumenta e que bateu na casa de 7283 trabalhadores. Este é o total de pessoas que perderam seus postos de trabalho entre janeiro e agosto deste ano. Em Guarujá, são 2365 desempregados a mais, um terço do total da região da Baixada Santista. Piora o cenário quando vemos retração das atividades turísticas e portuárias, que têm enorme capacidade de gerar postos de trabalho, mesmo informais, em curto espaço de tempo, mas que não têm conseguido recuperação adequada nestes últimos meses.
Diante deste quadro devastador, o que se pode esperar das administrações municipais é muito mais do que elas vêm apresentando em suas ações, poucas, de baixa eficácia e pequeno reflexo no mercado de trabalho. Compartilho da visão de que é papel do Estado induzir o desenvolvimento econômico, principalmente nas circunstâncias que vemos se materializarem no atual momento. O desemprego conjuntural, este que é fruto da desaceleração e da crise econômica, está se somando ao desemprego estrutural, que tem causas mais complexas, como a modernização tecnológica e a redução das estruturas produtivas para ampliação da taxa de lucro, em detrimento da massa salarial.
Medidas na área de educação, com a requalificação profissional de trabalhadores, a criação de fundos para financiamento de projetos de empreendedorismo, em particular nas áreas de economia solidária, a centralização de compras de insumos em empresas que sejam geradoras de empregos nas cidades da região, a organização de cadastros de vagas e apoio à recolocação profissional, bem como, o incentivo fiscal a empresas que gerem novos postos de trabalho ou que ocupem postos em que houve demissão, além da agilização de serviços e obras públicas, até mesmo fortalecendo as cooperativas de trabalho, para executarem estas tarefas eminentemente públicas, são algumas medidas possíveis.
A crise está aí, a retórica de nossos governantes também. Muitos acreditam que não há o que fazer, que “a culpa é dos outros”, como afirmam prefeitos eleitos para resolverem os problemas que nos afetam, enquanto cidadãos. Eu penso que existem sempre possibilidades. E que os problemas são sempre nossos. Por isso, não desisto de debater estes temas e chamar as pessoas à reflexão: se eles não fazem o que é necessário, precisamos alertá-los, e se persistem na inércia, nossa obrigação é trocá-los rapidamente, como fazemos com as fraldas dos nenéns!

 

Contraponto

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