Promo DL
Unip
COLUNA

Falando Sério

Valter Batista de Souza

Cotas: sim ou não?

Comentar
Compartilhar
15 MAI 2017Por Valter Batista de Souza00h01

 

Políticas Públicas Redistributivas não são formas de privilegiar parcelas da sociedade, são antes de mais nada, uma eficiente maneira de equilibrar o "game" da desigualdade histórica que acomete países como o Brasil, forjados na exploração e no escravismo. Na questão étnica, predominam em nosso país uma falaciosa "teoria da democracia racial", em que se negam o crescente preconceito e a evidente discriminação que afetam a parcela Preta e Parda de nossa sociedade, enorme numericamente e extremamente prejudicada por ter dificultado o acesso à educação de qualidade. O quadro é muito evidente. Há números que comprovam que pretos e pardos são marginalizados demasiadamente, numa sociedade que também maltrata brancos pobres. A questão é que a distância entre pretos+pardos para os brancos (maioria isoladamente, mas minoria quando somados num grupo só os pretos e pardos) é "gritantemente enorme". Dados do IBGE e do MEC mostram que nas menores cidades, o analfabetismo de pretos e pardos com mais de 15 anos chega a quase 30%, enquanto o de brancos está perto de 10%, números escandalosos.

Na partida, a diferença é enorme, menor escolaridade no ensino fundamental implica em menor escolaridade nos demais níveis de ensino. Na escolaridade é assim, na renda o salário médio de homens brancos chega a ser o dobro do de mulheres negras. Pela ordem, homens e mulheres brancos, depois homens e mulheres negros. A escolaridade é o fator principal desta desigualdade.
Dessa maneira, a "Política de Cotas" é uma medida emergencial. Deve ser temporária. Mas é fundamental para a superação desta desigualdade.

Mais ainda, no início dos anos 1990's, o Ensino Fundamental não era universalizado. Havia 1/3 das crianças pretas e pardas fora da escola. Totalmente fora da escola. Os brancos eram pouco mais de 10% fora da escola. Hoje este índice é de menos de 1,5%. Mas no Ensino Médio a exclusão ainda é elevada. Adivinhe!? Jovens Pretos são mais de 40% fora da escola, brancos cerca de 20%. No Ensino Superior, a partir dos anos 1990's, com expansão do Ensino Superior Privado, o acesso aumentou para todos, mas a curva de crescimento do acesso de brancos era evidentemente maior do que a dos negros. A distância aumentava. Embora mais pessoas acessassem o Ensino Superior, o número de pretos não acompanhava o de brancos, ampliando a desigualdade. Não é uma questão de opinião, apenas. É uma questão de reconhecer esta desigualdade e buscar uma solução para esta extrema injustiça social, que é ruim demais para a construção de um país democrático e inclusivo.
Não se produz justiça apenas com igualdade. O contexto da equidade é que permeia este debate. Não há consenso de que esta medida é a melhor opção, mas é uma medida que vem trazendo resultados positivos e fazendo bem ao país. O debate sobre este tema deve considerar tudo isto e não apenas o aspecto histórico, do contexto do escravismo. Este tema não é medieval ou moderno, é atual e contemporâneo.

Contraponto

Banner Prefeitura de Santos 4