Entrada da Cidade
COLUNA

Comportamento

Vanessa Ratton

Vanessa Ratton é jornalista, pós-graduada em Teatro Brasileiro, Psicopedagoga, Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e é Educadora da Cultura de Paz.

Como falar de separação com os filhos?

Comentar
Compartilhar
14 FEV 2018Por Vanessa Ratton08h58

Por mais que um casal se separe, quando existem filhos, nunca deixam de ser pai e mãe. Portanto, o mais importante é que nenhum dos lados queira abandonar a criança ou trazê-la para o seu lado, como se o filho tivesse que escolher um dos dois. Vamos tentar deixar algumas dicas para esse difícil momento. Primeiro: a separação do casal só deve ser conversada com os filhos no momento que for certa e definitiva. O ideal é que seja amigável, principalmente quando os filhos ainda são crianças, mas manter a união apenas por causa deles, é um erro comum e acaba causando uma convivência conflituosa que afetará ainda mais os pequenos. 

As explicações e a quantidade de informações devem ser adequadas à capacidade de compreensão da faixa etária da criança, que mesmo que não compreenda o que é um divórcio, sente que tem algo diferente acontecendo e deve saber que não é a causa disso. Ambos os pais devem estar presentes e afirmar que ocorrerão mudanças na rotina, mas que continuará sendo amada pelos pais e se relacionando com eles. 

Se tal não for possível, é importante que ambos digam mais ou menos a mesma coisa em momentos distintos.Especialistas garantem que esta comunicação reforça um sentimento de segurança e de confiança da criança em seus pais, a criança deve ser informada com quem irá morar, como e quando terá contato com um ou outro. E, durante o primeiro ano, é importante que ocorram mais conversas sobre a separação, para acompanhar se tudo está indo bem, de verdade. Em caso de dúvida, buscar orientação profissional é o melhor caminho e os pais podem fazer isso juntos.

Os filhos devem poder expressar seus sentimentos de tristeza e devem ser incentivados a expressarem suas dúvidas. Nunca se deve denegrir a imagem do outro e deve ser evitado brigar na frente das crianças ou mesmo dizer a causa da separação se houve traição ou algum motivo do casal, mas sim apenas, que o amos entre o casal terminou mas que nunca isso acontecerá com os filhos. Assim como vínculo com avós, tios e primos.

Uma coisa que nunca deve ocorrer é, por exemplo, descontar a raiva no ex-cônjuge deixando de ver o filho ou aquele que tem maior poder econômico, usar isso para punir aquele que pediu a separação, por exemplo, se negando a pagar a mensalidade da escola ou plano de saúde para poder fazer pirraça. Quem sofre mais sempre é a criança que poderá entender que deixou de ser amada.

Segundo psicólogos, as crianças podem se portar bem, achando que detêm alguma culpa nesta desgraça; ou manifestarem a sua tristeza através de “dores de barriga”, birras inesperadas ou resistência à escola (que sempre deve ser avisada); outras crianças tentam “proteger” um dos pais, geralmente o que foi traído, ou o que se mostra mais abatido com a separação; e também há crianças que “fogem” do assunto, tentando não sofrer.

 

Contraponto