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Diego Brígido

Diego Brígido é jornalista e turismólogo, editor-chefe da Revista e do Portal Nove Cidades.

A Pedra da Feiticeira - No meio do caminho tem uma pedra. No passado, havia, também, uma bruxa

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12 MAR 2018Por Diego Brígido11h30

Quem tem por hábito as caminhadas à beira-mar na Praia do Itararé, em São Vicente, está acostumado a cruzar a Pedra da Feiticeira no meio do caminho. Ora banhada integralmente pelo mar, nas marés cheias; ora exposta em plena areia, nas marés baixas, ela é parte do cenário da cidade.

Há alguns anos a pedra ganhou uma escultura em fibra com 3,5 metros de altura, que representa a imagem de uma feiticeira, figura que povoa o imaginário dos vicentinos desde o século XVI. A imagem foi instalada ali em alusão à lenda da Pedra da Feiticeira. Você certamente já ouviu falar, mas sabe qual a história?

Reza a lenda que nos idos de 1500 e alguma coisa, quando a praia ainda era deserta e quase sem visão para o mar – em função da altura da vegetação, uma mulher misteriosa vagava pela região, malvestida e falando sozinha. Nas noites quentes, ela dormia sobre a pedra, que ficou conhecida como a ‘cama da velha’.

Apesar de não ser idosa, os trajes desgrenhados e a pele maltratada pelo sol davam à mulher um aspecto de uma velha bruxa.

Seu nome era desconhecido, mas a imagem lendária da ‘bruxa da pedra da praia’ era conhecida em todo o povoado. Era inofensiva, não molestava ninguém, mas tinha por hábito dançar, cantar e acenar para os navios que passavam na barra. Nos poucos contatos que tinha com a comunidade, contava de seu amor por um marinheiro português, que visitara a Ilha de São Vicente na juventude, com o qual teve um romance e de quem engravidou. 

O navegador partiu para Portugal dizendo voltar para buscar a amada e o bebê, promessa que nunca cumpriu. Desmoralizada e desesperada, a mulher entrou em depressão e desequilíbrio mental, perdendo a gestação. Isolou-se na pedra, local onde ocorriam os seus encontros românticos, e ali permanecia longos períodos, acenando para cada barco que passava, na ilusão de ser o seu amado marinheiro. 

Certa vez, acreditando ter visto alguém acenar de um barco que passava ao longe, se lançou ao mar, em dia de maré cheia e sob forte correnteza e, então, morreu afogada. Contam que ainda hoje, nas noites de luar, se pode ouvir os gritos da velha feiticeira. Quem arrisca passar por lá? 

No portal da Revista Nove Cidades tem muito mais curiosidades e coisas bacanas sobre as nove cidades da Baixada Santista. Vai lá > www.revistanove.com.br. 

A gente se vê por aqui na próxima semana ou por aí, pelas ruas da cidade. Vamos juntos.

Fonte: Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente

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