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Vanessa Ratton

Vanessa Ratton é jornalista, pós-graduada em Teatro Brasileiro, Psicopedagoga, Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e é Educadora da Cultura de Paz.

A importância do brincar

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11 JUN 2018Por Vanessa Ratton10h59

Brincar não significa apenas recreação. É uma complexa forma da criança se comunicar com o mundo e consigo mesma. Por isso, proporcionar um ambiente rico para brincadeiras, tanto no âmbito escolar quanto familiar, faz com que desenvolvam a imaginação, criatividade e habilidades cognitivas. Até mesmo na adolescência e na fase adulta, é preciso nos sujeitarmos a novas experiências para testarmos ideias e aprendermos novas lições.

Para Vygotsky, “a brincadeira infantil é uma forma dos pequenos se expressarem e terem experiências sobre o mundo. Quando as crianças brincam, assumem diferentes papéis. Assim, elas criam mecanismos para agir diante da realidade, substituindo ações cotidianas pelas ações cumpridas pelo papel assumido. É por meio das brincadeiras que a criança estabelece contato com o mundo físico e social”.  
 
Qual é a importância das brincadeiras para o desenvolvimento infantil?

A criança floresce no processo de aprendizagem por intermédio de jogos e brincadeiras, pois estes a ajudam na construção se sua autonomia, na reflexão e na criatividade, de forma completa, ou seja, nos âmbitos sociais, afetivos, culturais, cognitivos, emocionais e físicos. O desenvolvimento da memória, atenção e imaginação, bem como a sua personalidade e inteligência.

Etapas fundamentais da brincadeira

De 0 a 2 anos de idade:
A criança participa do que chamamos de Jogos de Exercício. Nessa etapa, a criança está adquirindo suas competências motoras e desenvolvendo autonomia. Ela demonstra alegria ao imitar a fala e demanda que os adultos a coloquem no chão. Também revela prazer ao descobrir seu corpo através dos sentidos. E assim, o brincar se desenvolve em torno da exploração dos objetos e é essencial ter cuidado com artefatos pequeninos, que as crianças tendem a inserir nas narinas, na boca e nos ouvidos!

De 2 e os 7 anos de idade:
A simbologia passa a exercer um papel fundamental nas brincadeiras da criança. Daí a preferência por fantoches, desenhos, contos de fadas. Nessa fase, a criança já é capaz de produzir imagens mentais e, com a fala, substitui objetos por símbolos. Através desta simbologia, a criança compreende os papéis sociais que integram sua cultura, como o do pai, da mãe, irmãos, entre outros. 

A partir dos 7 anos:
A criança passa a ter um entendimento melhor sobre seguir regras. Desse modo, as crianças interagem socialmente, descobrindo que não são os únicos sujeitos envolvidos nas ações, desenvolvendo a empatia e a capacidade de entender os objetivos de outras pessoas. Através de jogos com regras, as crianças aprendem também a controlar o comportamento impulsivo e a trabalhar em equipe.

Como tornar a tecnologia uma aliada nesse processo? 

Segundo a Pedagogia Waldorf, a utilização precoce e sem limites da tecnologia pode ser altamente nociva para o desenvolvimento infantil. Isso porque as atividades virtuais têm ocupado um espaço maior na vida infantil, fazendo com que um grande grupo de crianças esteja se exercitando cada vez menos, sofrendo com dificuldades para lidar com o próprio corpo e com a obesidade. 
Principalmente na primeira infância, é importante que a criança tenha contato sensorial com o mundo ao seu redor. As crianças aprendem pelo exemplo, portanto, pais que vivem conectados o tempo todo devem repensar seus hábitos, incentivando os filhos a adotarem práticas com mais interação com o mundo real.

Contraponto