Santos

Pesquisa diz que 76% dos paulistanos aceitam restringir uso de carros

O estudo encomendado ao Ibope pela organização não governamental ouviu 800 pessoas de todas as regiões da cidade em abril

Comentar
Compartilhar
13 JUN 2018Por Agência Brasil21h50
Paralisação dos caminhoneiros reduziu níveis de contaminação em São PauloFoto: Agência Brasil

A maior parte da população da cidade de São Paulo, 76%, apoia a adoção de medidas para restringir a circulação de veículos e diminuir a poluição do ar na capital, segundo pesquisa divulgada hoje (13) pela Rede Nossa São Paulo. O estudo encomendado ao Ibope pela organização não governamental ouviu 800 pessoas de todas as regiões da cidade em abril.

Entre os que são favoráveis a essas ações, 30% acreditam que a inspeção veicular, verificando os níveis de emissões dos automóveis, é a melhor opção. A limitação da circulação de veículos no centro expandido é vista como a forma mais eficiente de diminuir a contaminação atmosférica por 21%. Ampliar o horário de duração do rodízio é defendida por 16%.

Levantamento anterior da Nossa São Paulo, feito em setembro de 2017, mostrou que mais da metade (56%) dos residentes na cidade disseram já ter tido algum problema de saúde relacionado à poluição. Segundo a presidente do Instituto Saúde e Sustentabilidade, Evangelina Vormittag, a contaminação do ar causa, principalmente, problemas circulatórios.

“Os efeitos nocivos da poluição são vários, mas os mais importantes são os cardiovasculares, como infarto e o acidente vascular cerebral, que as pessoas conhecem como derrame cerebral. Esses efeitos são 80% [do total]. E 20% são respiratórios”, disse a dirigente, ao participar da apresentação dos dados.

Fontes de poluição

Os carros, caminhões, motos e ônibus são, de acordo com a médica, a maior fonte de poluentes atmosféricos da capital paulista. “Os veículos são responsáveis por 50% da poluição do ar em São Paulo relacionada ao material particulado. Mas, se você for olhar, por exemplo, para o dióxido de nitrogênio, até 80% é causada pelos veículos”, destacou.

Sobre a restrição de veículos, Evangelina citou como exemplo concreto a greve dos caminhoneiros, que devido ao desabastecimento de combustível, reduziu substancialmente o tráfego de veículos na capital paulista e em outras partes do estado.

Segundo ela, na cidade de São Paulo e na Baixada Santista, a queda nos níveis de contaminação chegou a ficar entre 50% e 70%. “Os níveis de poluição nessa fase chegaram aos níveis que são preconizados pela Organização Mundial da Saúde”, enfatizou.

Apoio à reciclagem

A pesquisa também mediu a adesão dos residentes da capital paulista à coleta seletiva. Segundo o estudo, 57% dos moradores separam o lixo. Na zona oeste da cidade, o índice chega a 75%, e no centro a 65%. A zona leste tem o menor percentual, com 51% dos residentes descartando o lixo diferenciando o tipo de material.

Entre os que aderem a coleta seletiva, 38% são atendidos por caminhões da prefeitura, 28% por catadores de recicláveis e 15% levam o material para um ponto de reciclagem. Na zona sul, o índice dos que são atendidos por caminhões da municipalidade é de 47%. Na zona leste, 40% dizem que os resíduos são levados por cooperativas de catadores.

Conservação de parques

Quase a metade dos moradores (48%) classificou a conservação dos parques e praças da cidade como ruim ou péssima. Para 41%, os trabalhos de manutenção têm qualidade regular e para 11% são bons ou ótimos.

Colunas

Contraponto