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Doria admite que poderá manter 50 km/h em trechos das marginais

O prefeito eleito afirmou, entretanto, que não investirá recursos públicos durante sua gestão para ampliar a rede cicloviária

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10 OUT 2016Por Estadão Conteúdo08h30
João Doria (PSDB) admitiu que poderá manter a velocidade máxima a 50 km/h em alguns pontos da pista local das marginaisFoto: Divulgação

Três dias após ser alvo do primeiro protesto de ciclistas contra o fim anunciado do programa de expansão das ciclovias, o prefeito eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), resolveu pedalar ontem e, pressionado por cicloativistas, admitiu que poderá manter a velocidade máxima a 50 km/h em alguns pontos da pista local das marginais.

"Onde existir comprovadamente um fluxo grande de pedestres poderemos reestudar, sim, o limite de velocidade", disse o prefeito, diante da pressão dos ciclistas. Doria havia convidado cerca de 30 cicloativistas, incluindo o coordenador do Associação de Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade), Daniel Guth, o criador do site Vá de Bike, William Cruz, e a jornalista Renata Falzoni, para pedalar na Avenida Brigadeiro Faria Lima, zona oeste.

A frase de Doria foi dita após Falzoni questioná-lo sobre o aumento dos limites de velocidade. Ela afirmou que era errada a afirmação de que não havia pedestres cruzando as Marginais, uma vez que as pessoas que andam na calçada precisam atravessar as ruas de acesso às pistas expressas - e seriam esses pontos os locais mais perigosos. Ela deu como exemplo a Rua Hungria, nos Jardins, de difícil travessia para pedestres.

"Vamos analisar caso a caso e levar em conta o mapeamento dos acidentes. Aí se modifica (aumenta) a velocidade nessas áreas. Acho sensato", afirmou o prefeito eleito. Dessa forma, a pista local teria pontos com limites a 60 km/h e outros com limite nos 50 km/h vigentes atualmente. Até então, Doria afirmava que aumentaria os limites das duas Marginais, voltando à velocidades antigas, "na segunda semana de mandato".

Dados do Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo (Infosiga) mostram que o porcentual de queda nos acidentes de trânsito, entre janeiro e agosto deste ano comparado com igual período de 2015, foi três vezes maior na capital do que no Estado como um todo - 16,7% na cidade e 5,5% no Estado. Para especialistas do setor, a velocidade reduzida é o principal motivo.

O prefeito eleito foi ao encontro dos ciclistas acompanhado da vereadora eleita Soninha Francine (PPS) e do deputado federal Floriano Pesaro (PSDB). Durante o encontro com os cicloativistas (parte deles foi ao protesto na quinta-feira em frente à casa do tucano), o prefeito eleito posou para fotos, recebeu livros de ciclistas e até colou um adesivo de apoio na fachada de seu comitê, na Avenida Europa. "Eu chamei o pessoal para esta pedalada. Pode colocar aí em letras garrafais: eu apoio os ciclistas. Defendo as ciclovias."

Doria afirmou, entretanto, que não investirá recursos públicos durante sua gestão para ampliar a rede cicloviária. Disse que as empresas poderiam fazer isso - sem detalhar como. "Com a iniciativa privada, pode-se ampliar. Sem nenhum problema. O investimento público já foi feito. A ideia é que agora a manutenção das ciclovias e a sua expansão possam ser feitas por empresas parceiras. A Prefeitura passará a fiscalizar, acompanhar, numa espécie de controladoria."

A gestão Fernando Haddad (PT) sinalizou 317 quilômetros de ciclovias ao longo dos quatro anos de mandato. A cidade contava antes com 64,7 quilômetros de vias exclusivas para bicicletas. Entre janeiro e junho deste ano, 16 ciclistas morreram em acidentes de trânsito e, no mesmo período de 2015, 15. Já no primeiro semestre de 2014 foram registradas 28 mortes, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

 

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