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Contra assédio, São Paulo terá frota de 'táxi rosa' só com motoristas mulheres

A ideia lembra o chamado "vagão rosa", que é exclusivo para mulher no metrô de algumas cidades do país, como o Rio de Janeiro

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17 OUT 2016Por Folhapress18h30
Para a nova modalidade, 400 taxistas mulheres foram cadastradas nas duas cidadesFoto: Divulgação

"Que bom que veio uma mulher". Essa frase já foi ouvida algumas vezes pela taxista Sandra Regina de Santana Alves, 46, que há doze anos transporta passageiros. "Já escutei muitas reclamações de mulheres dizendo que alguns [taxistas] homens confundem as coisas e dão em cima mesmo", disse ela, que atua por meio de aplicativos que conectam motoristas de táxi a passageiros.

Após esse histórico de assédio ou atitudes machistas, um desses aplicativos criou uma opção para mulheres em que o atendimento só é feito por taxistas do sexo feminino. A ideia lembra o chamado "vagão rosa", que é exclusivo para mulher no metrô de algumas cidades do país, como o Rio de Janeiro.

O serviço oferecido pela 99, que atua com taxistas e motoristas particulares, começa a valer a partir desta segunda-feira (17) em São Paulo e no Rio de Janeiro. Porém, inicialmente, a iniciativa só valerá para motoristas de táxi.

Para a nova modalidade, 400 taxistas mulheres foram cadastradas nas duas cidades -há cerca de 1.100 atuando pelo aplicativo. Em São Paulo, entre os 60 mil taxistas, 7.421 são mulheres.
A opção vai aparecer no smartphone de todos os passageiros com a plataforma, mas a taxista poderá recusar a viagem caso tenha a surpresa de que o cliente que solicitou é um homem. Porém, homens podem acionar o aplicativo, desde que seja destinado a sua mulher ou filhos.

Pesquisa feita pela empresa detectou que 56% das usuárias do serviço gostariam de ter a opção de serem atendidas somente por mulheres. Outras 23% achavam importante que motoristas não tivessem acesso a dados da passageira. Desde 2015, o número das clientes não é acessível aos motoristas da 99.

Segundo Sandra, antes disso, clientes dela relataram mensagens de texto no celular com convites para jantares vindos dos taxistas que haviam terminado a viagem. Usuária de aplicativos de transporte, a servidora pública Fernanda Balbino, 23, sente-se mais segura com mulheres ao volante. "O homem se sente no controle total da situação, define os caminhos que quer, por exemplo", diz.

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